Nove mil passageiros vão perder autocarro directo para o centro do Porto

A partir de 5 de Fevereiro, várias linhas de operadores privados passam a fazer paragem final junto à estação de metro do Dragão. Condicionamentos advêm de obras do Mercado do Bolhão e noutras artérias da cidade

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Obras no Mercado do Bolhão e noutras artérias da cidade obrigam a alterações no trânsito e linhas de autocarro Nelson Garrido

Os condicionamentos são motivados pelas obras no Mercado do Bolhão e uma série de intervenções noutras ruas do Porto, mas poderão ser a antevisão de uma “solução de futuro” que privilegia a intermodalidade e o alívio de trânsito no centro. A partir do dia 5 de Fevereiro, 13 linhas – entre STCP, Valpi, ETG, AE Martins e Pacense – vão ter alterações nos seus percursos. Os operadores privados que até aqui chegavam ao centro do Porto e ao Campo 24 de Agosto vão passar a ter o Terminal do Estádio do Dragão como limite. A STCP verá os veículos que chegavam à Rua Alexandre Braga a aparcar na Rua do Bolhão, a cerca de cinco minutos a pé.

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Os condicionamentos são motivados pelas obras no Mercado do Bolhão e uma série de intervenções noutras ruas do Porto, mas poderão ser a antevisão de uma “solução de futuro” que privilegia a intermodalidade e o alívio de trânsito no centro. A partir do dia 5 de Fevereiro, 13 linhas – entre STCP, Valpi, ETG, AE Martins e Pacense – vão ter alterações nos seus percursos. Os operadores privados que até aqui chegavam ao centro do Porto e ao Campo 24 de Agosto vão passar a ter o Terminal do Estádio do Dragão como limite. A STCP verá os veículos que chegavam à Rua Alexandre Braga a aparcar na Rua do Bolhão, a cerca de cinco minutos a pé.

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O assunto, garantiu Rui Moreira numa conferência de imprensa esta quarta-feira, foi tratado com “grande antecedência”. Os autarcas da Área Metropolitana do Porto não foram ouvidos, apenas “informados” das decisões da autarquia. Já com as operadoras privadas e a STCP houve “várias reuniões”. Por agora, as mudanças nas linhas da operadora pública são “residuais” e decorrem de “necessidades absolutas de fechos de ruas” para a concretização de obras sufragadas em eleições. Sem elas, advertiu, trabalhos como o do Mercado do Bolhão teriam de parar. Admitindo que não se fazem obras sem constrangimentos, o presidente da Câmara do Porto garantiu que o seu executivo procurou ajustar a cidade a essa dinâmica da melhor forma possível.

Vamos por partes. A há muito ansiada recuperação do Mercado do Bolhão, iniciada em 2018 e com duração prevista de dois anos, é uma intervenção “altamente complexa”, com operações não só no edifício mas também no subsolo. Por causa delas, a Rua Alexandre Braga, onde o trânsito de automóveis privados é já proibido, será cortada a partir de 5 de Fevereiro. Ainda antes disso, a 29 de Janeiro, a Rua Fernandes Tomás estará cortada na zona entre Sá da Bandeira e a Trindade. Lá serão feitas intervenções por parte das Águas do Porto e também uma requalificação integral à superfície, com alargamento de ruas onde hoje em dia é, por vezes, difícil circular. Em três meses, a empreitada deverá estar concluída e o trabalho transita para as Ruas do Bonjardim e Guedes de Azevedo. Ainda na mesma zona, mas só lá para o final de Abril, o estaleiro estará montado na Rua Formosa. Debaixo do solo dessa artéria, onde só peões poderão transitar, vai nascer um túnel técnico e de acesso a cargas e descargas do mercado. E esta parte não deverá estar concluída antes do Bolhão abrir portas: dentro de um ano e meio, portanto. Os condutores que por ali passam terão de decorar, em breve, novos sentidos das ruas.

Por causa deste Porto-estaleiro instalado no centro, a zona junto ao Estádio do Dragão deverá passar a ter mais movimento. Ali estará o fim de linha de nove camionetas de operadores privados que até agora chegavam a Alexandre Braga, Sá da Bandeira, Campo 24 de Agosto e Régulo Megauanha. “A Câmara do Porto investiu 200 mil euros para criar condições de rebatimento do transporte público que entra na cidade pelo eixo de São Roque da Lameira”, recordou Moreira. Na zona do Dragão foram instaladas novas zonas de abrigo, serviços de apoio ao cliente (como sanitários) e valorização do parque de automóveis, com capacidade actual para 840 carros.

Rui Moreira recusa as acusações de que estas mudanças signifiquem um custo acrescido para as populações: “Passageiros com Andante não têm qualquer prejuízo. Só os clientes eventuais que combinem STCP, privados e Metro podem ter de pagar mais.” Para o autarca portuense “a linha de Gondomar está abaixo da sua capacidade” e a estação do Dragão pode perfeitamente “suportar os nove a dez mil passageiros que entram na cidade através dos operadores privados e vêm dos municípios a leste”, como Gondomar, Valongo, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e Santo Tirso, não precisando o metro de qualquer reforço. Em alternativa, sugeriu, os cidadãos podem ainda usar os autocarros STCP que operam em Gondomar ou mesmo usar o metropolitano a partir dessa cidade. Em dias de jogo do FC Porto, haverá um “plano especial”, desenhado com intervenção da PSP, que desvia a circulação para a Alameda 25 de Abril.

Às queixas ouvidas por outros autarcas da AMP, Moreira prefere não responder: por não interferir em obras desses municípios espera também que o contrário seja verdade, defendeu, deixando ainda uma achega ao tema: “Não podemos ter esta ideia de que o transporte público leva de porta a porta sem que a pessoa tenha de se mover. Não é assim em nenhuma cidade.”