Oposição acusa Machado de mentir sobre aeroporto de Coimbra

Elementos de estudo apresentados na semana passada apontavam localização da infra-estrutura para Soure que, numa primeira fase, seria um aeródromo.

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DRO DANIEL ROCHA - PÚBLICO

O aeroporto de Coimbra pode afinal ser em Soure e pode até começar por ser apenas um aeródromo. Foi este dado recente que levou os vereadores da oposição a lembrar a promessa do presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, quando se recandidatava ao cargo, na campanha para as autárquicas de 2017. 

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O aeroporto de Coimbra pode afinal ser em Soure e pode até começar por ser apenas um aeródromo. Foi este dado recente que levou os vereadores da oposição a lembrar a promessa do presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, quando se recandidatava ao cargo, na campanha para as autárquicas de 2017. 

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Na reunião do executivo municipal, que decorreu nesta segunda-feira, em Coimbra, os vereadores do PSD referiram que foram "todos enganados” e falam de um “logro” que “defrauda as expectativas criadas”, ao passo que o movimento Somos Coimbra entende que a promessa de um aeroporto não passa de uma “mentira deliberada e consciente”.

Na apresentação da recandidatura à presidência da autarquia, há um ano, Manuel Machado acenava com “a transformação do aeródromo de Coimbra – o aeródromo Municipal Bissaya Barreto, em Cernache – num aeroporto civil comercial”, acrescentando que “no essencial” a pista “já estaria preparada para receber aviões de grande porte”.

Contudo, Manuel Queiró, a quem a CMC encomendou um estudo sobre a viabilidade da infra-estrutura, veio a público na semana passada descartar a hipótese de remodelar o aeródromo municipal. “Vamos esquecer Cernache se queremos uma estrutura ambiciosa”, disse o responsável, citado pela agência Lusa. Queiró, que falava numa conferência sobre a Semana Europeia da Mobilidade, explicava que, para aumentar a pista para os 1200 metros seria necessário desembolsar “dezenas de milhões de euros”.

O autor do estudo referia que que o futuro aeroporto internacional de Coimbra deveria ser instalado fora do município e que, numa primeira fase, assumiria a configuração de um aeródromo do tipo III, capaz de receber voos internacionais do interior do espaço Schengen. Embora não tenha avançado uma localização concreta, Queiró afirmou que o "nó de Soure [da auto-estrada do Norte, num concelho do distrito de Coimbra que faz fronteiro com o de Leiria] é uma boa referência para um compromisso operacional e político".

Nesta segunda-feira, o autarca socialista de Coimbra comentou que irá “receber muito em breve” a “fase final do estudo da equipa de Manuel Queiró” e que só depois se pronunciará, “na posse de todos os dados”. De acordo com a Lusa, após a apresentação de Queiró na semana passada, Machado admitia deixar cair a localização, afirmando que "a região Centro precisa de uma acessibilidade aeroportuária”. Mas acrescentava: “se não tiver condições, não exigimos que seja no nosso quintal”. Já Julho deste ano Manuel Machado abria a porta à possibilidade de o aeroporto não se localizar no município de Coimbra. <_o3a_p>

Dúvidas por esclarecer<_o3a_p>

Perante os elementos do estudo apresentados por Manuel Queiró, os vereadores do PSD e do movimento Somos Coimbra apontaram o dedo a Machado. Do movimento Somos Coimbra, José Manuel Silva entende que “está definitivamente provado” que a promessa de um aeroporto em Coimbra era uma “mentira deliberada e consciente”, acusando o presidente de “desonrar” a palavra dada. E prossegue: “O futuro aeroporto da Região Centro, que defendemos e apoiamos, passará obrigatoriamente por um entendimento entre a câmara de Coimbra e Leiria. Até lá dispensamos mais ilusões, atrasos e desperdício de dinheiros públicos”. <_o3a_p>

O vereador social-democrata, Paulo Leitão, disse estranhar “as certezas que havia há um ano” e “as dúvidas que existem hoje”. O responsável considera que o processo tem vindo a ser conduzido “de forma atabalhoada e trapalhona” e que “passado apenas um ano e alguns ajustes directos [para estudos]” o projecto de aeroporto “está mais contido e defrauda as expectativas criadas”. <_o3a_p>

Madalena Abreu, também eleita pelo PSD, comenta que a cidade é “motivo da chacota geral” devido ao dossier do aeroporto. “Não é sério prometer e passado um ano apresentar um estudo à população a dizer que afinal não é possível”, lamenta.<_o3a_p>

Paulo Leitão lembrou também a posição de João Ataíde, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, mas também da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, que já se pronunciou a favor da solução Monte Real. E questiona a articulação com outras câmaras da região. <_o3a_p>

Manuel Machado argumenta que a “solução terá de ter condições de sustentabilidade, de ter o envolvimento dos municípios vizinhos” e acrescenta que o processo deve ter “uma sequência lógica, de modo a que não se comece do fim para o princípio”. <_o3a_p>

Entretanto, a autarquia de Leiria – que, tal como Coimbra, é de maioria PS – tem feito o seu caminho na defesa da abertura da base aérea de Monte Real ao público. Em Julho, a CIM de Leiria, que é liderada pelo autarca da capital de distrito, Raul Castro, apresentou ao governo um estudo a defender desta solução. <_o3a_p>