Aeroporto em Coimbra é para avançar "de imediato", garante Manuel Machado

Na tomada de posse, autarca reafirmou promessa de campanha. Capital Europeia da Cultura em 2027 está no horizonte.

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Enric Vives-Rubio

Disse-o na apresentação da candidatura, no discurso de vitória da noite eleitoral e voltou a afirmá-lo na tomada de posse. O re-eleito presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, garantiu nesta quinta-feira que o aeródromo Municipal Bissaya Barreto vai ser transformado num aeroporto civil comercial.

O aeroporto que Machado quer construir servirá para "receber tráfego internacional charter e low cost" e será "uma peça crítica" num "novo ciclo económico" que a câmara espera lançar.

O projecto para o arranque da obra será iniciado "de imediato", anunciou o autarca, "partindo dos estudos que esta câmara encomendou e pagou noutros períodos e aos quais nunca foi dada sequência". O recém-empossado presidente do município sublinha ainda  a "relação virtuosa que se estabelece entre os custos previsíveis e o potencial económico e também turístico" para Coimbra e para a região Centro.

Não o disse no discurso desta quinta-feira, mas o então candidato Manuel Machado tinha já apontado para 2021 (ano em que termina o actual mandato), como prazo para concluir a obra. O investimento necessário para a empreitada anda entre os 10 e os 12 milhões de euros, estima.

No entanto, em 2015, Manuel Machado disse à agência Lusa que "não é preciso estudos novos, os que existem concluíram pela vantagem de construir um aeroporto civil na base aérea de Monte Real", no distrito de Leiria. Já em Junho de 2017, citado pela mesma agência, voltou a endorsar essa hipótese. "Defendemos Monte Real, ponto", afirmou em conferência de imprensa conjunta com o autarca de Leiria.

Também sobre mobilidade e transportes, Manuel Machado sublinhou a continuação da renovação e aumento da frota dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra e o investimento em veículo eléctricos. Tal como tinha dito durante a campanha, o autarca afirma que uma das apostas nesta área passa por relançar a Ecovia, com a criação de "parques de estacionamento periféricos e dedicando autocarros ao transporte entre esses parques e o centro da cidade".

O autarca referiu-se ainda ao metrobus - o sistema de autocarros que o governo apresentou para substituir o projecto do Metro Mondego - como "uma revolução na vida da cidade".

Capital Europeia da Cultura no horizonte

O espaço é de uma década. O trabalho na área da cultura "terá como horizonte e fio condutor a candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027". Machado anuncia "um investimento muito superior ao normal na produção cultural" para atingir este objectivo.

Ao tomar posse como presidente da autarquia pela quinta vez - Manuel Machado esteve à frente da câmara de Coimbra entre 1989 e 2001, tendo regressado em 2013 - o socialista referiu que "ninguém desconhece qual o principal desígnio para a gestão" do município neste mandato, que passa por "promover a auto estima dos conimbricenses, dinamizar o investimento e apoiar a actividade das empresas".

As eleições de 1 de Outubro voltaram a dar a vitória ao PS em Coimbra. Com 35,46% dos votos, os socialistas elegeram um presidente e quatro vereadores. O PSD, que em coligação com o CDS, MPT e PPM, foi a segunda força mais votada, elegeu três vereadores. O cabeça de lista, Jaime Ramos, tomou posse nesta quinta-feira, mas durante a campanha já tinha dito que era apenas candidato à presidência da câmara.

A lista encabeçada pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, entrou na corrida pela primeira vez nestas autárquicas e elegeu dois vereadores. O executivo municipal fica completo com Francisco Queirós, vereador pela CDU desde 2009.