Teatro

Raquel André mostra e amplia as suas colecções nos Estados Unidos

A artista portuguesa começa esta semana uma digressão norte-americana por Cincinatti, Portland e Nova Iorque.
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A digressão inclui uma exposição

Há quem coleccione selos, caricas, autógrafos, cromos e um sem-fim de outras coisas. Raquel André colecciona pessoas. Desde que estreou em 2015 a sua Colecção de Amantes, espectáculo em que contava as histórias mais ou menos ficcionadas dos 73 encontros que teve e documentou com desconhecidos, a artista portuguesa acrescentou-lhe a Colecção de Coleccionadores e avança agora para a Colecção de Artistas e a Colecção de Espectadores – que concluirão o desenho de uma tetralogia intitulada Colecção de Pessoas. São espectáculos que Raquel André depois desdobra em livros, exposições, conferências e outros formatos. E é exactamente isso que está a fazer, neste momento, numa digressão norte-americana por Cincinatti, Portland e Nova Iorque.

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Na base estão cinco apresentações de Colecção de Amantes (dias 6 e 7 no Cincinatti Contemporary Arts Center; 13, 14 e 15 no Portland Institute of Contemporary Art), cuja recolha contínua se baseia actualmente em 167 encontros, com pessoas dos vários pontos do mundo por onde tem passado a aceitarem o desafio para um blind date num apartamento que ficciona (ou não) uma partilha de intimidade. Em paralelo, e porque as datas de Cincinatti se inserem no programa da bienal de fotografia FotoFocus, Raquel André mostra no mesmo espaço uma exposição composta por fotografias que documentam o seu encontro com esse número improvável de “amantes”.

Da Colecção de Amantes passa depois para a Colecção de Artistas. A 20 de Setembro, após duas semanas de residência e encontros com artistas de Cincinatti e de Nova Iorque, Raquel André apresenta uma conferência no Chocolate Theatre Factory que antecipa, em parte, o espectáculo com o mesmo nome que estreará em 2019. Neste caso, o conceito passa por reclamar o seu corpo como arquivo para as expressões de outros criadores e, assim, se propor contar histórias que não lhe pertencem mas chegam ao público por si transformadas. Mais uma vez, interessa-lhe a diluição entre realidade e ficção, com a recolha de artistas até agora a acumular paragens por Bergen, Salzburgo, Faro, Varsóvia, Loulé, Berlim, Orleães, Porto, Montemor-o-Novo, Lisboa e, claro, Cincinatti e Nova Iorque.