Fugas dos Leitores

O meu “incredible” sentimento indiano

O leitor Mário Menezes partilha a sua experiência na Índia.
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Para mim, a Índia é país a não voltar, mas esta não deixou de ser uma viagem marcante, onde comemorei o meu 43.° aniversário. Passei lá dias muito felizes, mas houve coisas de que não gostei mesmo nada.

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A Índia é um país com uma faceta triste e obscura, de extrema pobreza, maus hábitos de higiene, poluído, superpovoado, trânsito sem regras onde impera a lei da buzina, com infra-estruturas degradadas, carregado de pedintes sem abrigo, gorjeta é sempre presente e solicitada e os enganos aos turistas (fui vítima!) abundam, com Nova Delhi à cabeça. Cães e vacas sagradas, muitas famintas e a comer no lixo. O Ganges, de onde eles bebem água e alguns turistas chá, é difícil perceber como é considerado sagrado, dado o nível de poluição e excrementos que lá desaguam. Nada de que não estivesse à espera, mas ver e viver isto é muito mais sentido e desconfortável.

Por outro lado, adorei as praias paradisíacas de Goa, cheias de lindas turistas russas; gostei dos templos e paisagens sublimes e de cidades caóticas, com destaque para os comboios suburbanos de Bombaim, que transportam mais de 9.000.000 de passageiros por dia, constituindo a linha suburbana mais utilizada no mundo, onde as carruagens circulam apinhadas e sempre com as portas abertas. Também há muito património deixado por portugueses. A gastronomia, mesmo que seja vegetariana, é maravilhosa, picante e com inúmeras especiarias. É saborosa e exótica, mas o nosso organismo não está preparado e uma ida ao WC nos 30 minutos após a refeição é garantido! Mesmo que a comida seja de avião.

O álcool é caro, há dias em que é proibido vender e consumir (por exemplo 26/1, meu aniversário, que é o Dia Nacional da Índia) e até em muitas das ruas não se pode fumar!

A Índia é, pois, um mundo à parte que merece ser visto. E onde o turista é bem recebido. Nos hotéis e restaurantes somos sempre bem tratados, o que nos faz sentir em casa. E até muitos transeuntes e muitas famílias não resistem a tirar selfies connosco! Muitas jovens indianas de sari, mas muitas também com american style de jeans, mas quase sempre na companhia dos maridos, namorados ou do irmão mais velho.

Tenho a ideia que fui aos locais mais visitados e mais célebres da Índia. Goa, Bombaim e o Taj Mahal, para mim é o que justifica viajar para este país. O resto que visitei (Nova Delhi, Varanasi e Jaipur) veio por acréscimo. Mas ao nascer do sol, e ao ver pela primeira vez o Taj Mahal, senti que perante tamanha beleza todos os “sacrifícios” para ali chegar valeram a pena...

Ao fim de duas semanas, e depois de ter passado metade desse período na “Incredible India”, eu estava saturado e exausto. Ainda me restavam quatro dias em Istambul (Turquia) no regresso a casa. Assim, quando, no Aeroporto de Nova Delhi, vi o meu passaporte ser carimbado a vermelho com “Departure”, tive uma enorme sensação de alívio!

Este é um texto um pouco contraditório mas é isto que sinto depois desta experiência de vida. Muito enriquecedora, por sinal. Em resumo, a Índia vale a pena, mas preparem-se!

Mário Menezes