Autarquias e instituições públicas na rota da iluminação LED

Organismos públicos investem na iluminação LED para poupar nos gastos com energia.

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REUTERS/Fabian Bimmer

Pelo menos um terço das autarquias mudou ou anunciou a intenção de mudar a iluminação pública para LED, com vários hospitais, instituições de ensino e edifícios públicos a fazer o mesmo. Numa contabilidade feita pela Lusa, só nos últimos dois anos cerca de uma centena de autarquias anunciaram publicamente que ou já tinham substituído todas as lâmpadas tradicionais ou que o iam fazer.

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Pelo menos um terço das autarquias mudou ou anunciou a intenção de mudar a iluminação pública para LED, com vários hospitais, instituições de ensino e edifícios públicos a fazer o mesmo. Numa contabilidade feita pela Lusa, só nos últimos dois anos cerca de uma centena de autarquias anunciaram publicamente que ou já tinham substituído todas as lâmpadas tradicionais ou que o iam fazer.

A última foi a Câmara Municipal do Barreiro, distrito de Setúbal, que na terça-feira divulgou que vai lançar um concurso público para a substituição de 10.865 lâmpadas de mercúrio por iluminação LED, o que, segundo as contas da autarquia, vai permitir uma poupança energética anual de cerca de 50 mil euros.

E se uns estão a começar há os que já acabaram. Ainda no mês passado, por exemplo, a Câmara Municipal de Lousada, distrito do Porto, anunciou que reduziu em cerca de 60% os encargos com iluminação pública, depois de todo o território ter sido equipado com tecnologia LED. A Câmara investiu na mudança 1,8 milhões de euros, um trabalho que começou em 2015 e terminou no ano passado. E diz também que esse investimento será recuperado até ao final de 2020.

eficiência energética dá mais um passo na União Europeia (UE) a partir de sábado, quando são descontinuadas as tradicionais lâmpadas de halogéneo, até agora usadas, e que vão ser substituídas por outras mais económicas, como o sistema LED, representando uma poupança de energia estimada em 39 tera-watts por hora em 2020. Esse valor era o que Portugal inteiro consumia no ano 2000.

A opção pelo LED (díodo emissor de luz, em inglês Light Emiting Diode, que dá origem à sigla) origina uma poupança de 100.000 euros por ano no Mercado Abastecedor de Lisboa. E está a levar outras instituições a fazer grandes investimentos na nova forma de iluminação, que por consumir menos também é menos prejudicial para o ambiente.

"Todo o esforço que as autarquias possam fazer, sendo elas, através da rede pública, certamente dos grandes consumidores das empresas que vendem electricidade, é muito bem-vindo. E para isso houve apoios públicos ao longo deste quadro comunitário de apoio", disse a propósito o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, na resposta a uma pergunta da Lusa.

O ministro salientou o facto de Portugal ser um país que cada vez mais produz energia eléctrica a partir de fontes renováveis e deu como exemplo "o campeão" mês de Março, quando toda a energia consumida no país foi produzida através de energias renováveis. "Ou seja, deu para tudo o que consumimos e ainda exportámos", disse.

João Pedro Matos Fernandes frisou que é preciso "fazer um esforço muito grande no domínio da eficiência energética", e "gastar menos" é válido para qualquer recurso, embora para a energia seja "da maior importância".

Conscientes desse "gastar menos", autarquias, mas também outras entidades, como escolas, universidades e politécnicos, hotéis, centros comerciais ou pavilhões desportivos, estão a mudar a iluminação. E nos últimos anos os natais de várias cidades já foram iluminados com lâmpadas LED.

Só este ano, dezenas de municípios de Norte a Sul, de Serpa, no distrito de Beja, a Torre de Moncorvo, no de Bragança, de Vila Nova da Cerveira, em Viana do Castelo, às Caldas da Rainha, em Leiria, anunciaram investimentos de milhões de euros para substituir milhares de lâmpadas.

Em Abril, os 14 municípios do distrito de Évora anunciaram que iam substituir as luminárias tradicionais por outras de baixo consumo, um projecto de 21,2 milhões de euros. Doze municípios da região Oeste já tinham anunciado o mesmo no ano passado.

E em Março o Hospital de Aveiro também anunciou que ia substituir a iluminação clássica por LED, com ganhos estimados de 54 mil euros por ano. A Unidade de Saúde do Alto Minho já tinha feito o mesmo anúncio para o Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, como também o Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, como também o Hospital de São João, no Porto, e ainda o centro hospitalar da Universidade de Coimbra.

A opção por lâmpadas de baixo consumo foi seguida também em escolas (em Lamego, na Marinha Grande ou em Felgueiras, por exemplo), em universidades (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, por exemplo), ou em politécnicos (Instituto Politécnico da Guarda, por exemplo).

E outros exemplos são ainda as luzes LED nos semáforos de Loures ou de Torres Vedras, ou na iluminação exterior de monumentos, como a do Palácio Nacional de Sintra.

Em 2016, números oficiais davam conta de que havia no continente cerca de três milhões de luminárias, das quais cerca de 80 mil LED, sendo as restantes lâmpadas a vapor de mercúrio e a vapor de sódio, neste caso 2,4 milhões.