Bolsonaro pode não ir a mais debates antes das presidenciais

O braço direito do candidato disse que a decisão não tem a ver com o ataque de Marina SIlva no debate da semana passada. Disse que os debates são "uma fraude" e que Bolsonaro é um candidato "diferente".

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Bolsonaro e Marina Silva no debate de 17 de Agosto PAULO WHITAKER/Reuters

O candidato de extrema-direita à presidência do Brasil Jair Bolsonaro está a ponderar não participar mais em debates porque são “uma fraude” onde nada se debate, explicou o seu braço direito, Gustavo Bebianno.

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O candidato de extrema-direita à presidência do Brasil Jair Bolsonaro está a ponderar não participar mais em debates porque são “uma fraude” onde nada se debate, explicou o seu braço direito, Gustavo Bebianno.

“Ele está farto desses debates inócuos que não levam a nada”, disse Bebianno, que é o presidente do Partido Social Liberal (PSL), pelo qual Bolsonaro é candidato. “Não sabemos se ele vai comparecer nos outros. Há entre 40 e 50 por cento de hipóteses de não ir”, disse, citado pela Folha de São Paulo.

Em Junho, o candidato afirmara que iria participar em todos os debates. Mas o presidente do PSL já disse que o ex-militar que quer ser presidente do Brasil e está na frente das sondagens num cenário em que o ex-chefe de Estado Lula da Silva não participa (por estar preso e ser inelegível; o país aguarda a decisão final que vai ser tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral) já não vai participar no debate de segunda-feira, na rádio Jovem Pan.

Segundo o Estadão (o site do Estado de São Paulo), Bebianno deixou em aberto a possibilidade de, antes da primeira volta das eleições, a 7 de Outubro, Bolsonaro participar apenas em debates sem outros candidatos. Bebianno disse que pode participar "num ou noutro".

“[Nos debates] não há maneira de se aprofundar nada. Ali, todos são donos da verdade. É um exercício de concisão que não tem sentido algum. É tudo mentira. É ridículo. Bolsonaro é um candidato diferente. Por isso, infelizmente, tomámos essa decisão”, disse Bebianno.

O braço direito do candidato negou que a decisão tivesse sido tomada depois do último debate, na semana passada, na Rede TV. Bolsonaro foi questionado pela candidata da Rede (ecologista), Marina Silva, sobre a diferença salarial entre homens e mulheres. 

O candidato de extrema-direita precisa de conquistar o eleitorado feminino, 52% dos votos e a fatia dos eleitores mais indecisa, para progredir nas sondagens — tem registado pequenas subidas, estando nos 19% no cenário com Lula na lista de candidatos e nos 22% sem Lula. A ecologista atacou a visão machista de Bolsonaro, que dissera que o Governo nada pode fazer quanto à diferença entre salários de homens e de mulheres. “Você não sabe o que é uma mulher ganhar um salário menor do que o homem, ter as mesmas capacidades e ser a primeira a ser demitida, a última a ser promovida, e quando busca emprego, pelo simples facto de ser mulher, não é aceite”, disse Marina Silva.

Bolsonaro tentou explicar como vive uma mulher — falou nas mães que têm os filhos levados para o mundo das drogas” — e disse que a opositora é “uma evangélica que propõe plebiscito sobre maconha e aborto”.

“Você acha que pode resolver tudo com gritos e violência”, respondeu Marina Silva, numa referência a uma fotografia que Bolsonaro tirou com uma criança a ensiná-la a fazer o gesto de uma arma. Marina, disse outro dos participantes no debate, Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL, esquerda), “pôs Bolsonaro no seu devido lugar”. 

Mas Gustavo Bebianno rejeitou que a decisão de Bolsonaro não participar em debates tenha a ver com a forma como lhe correu o de dia 17 de Agosto e com o ataque da sua opositora. “Não há qualquer relação. Mas esse episódio é a prova da hipocrisia em que os debates se transformaram. Marina disse uma coisa no debate, mas, numa entrevista, disse outra. Marina estava à minha frente e estava a tremer, a morrer de medo”.