Aliança

Centristas querem desvalorizar impacto de novo partido de Santana

No CDS considera-se que a ameaça seria mais real, se houvesse mesmo uma cisão no PSD.
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Assunção Cristas LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Entre os centristas há quem ironize com satisfação: “O PSD tem um ex-líder a sair, o CDS tem um ex-líder a querer voltar”. A provocação reflecte o momento vivido pelo centro-direita com o lançamento de um novo partido por Pedro Santana Lopes. Desvalorizar a Aliança é o mote geral no CDS, apesar de ser reconhecido que Santana Lopes pode roubar “algumas décimas” aos dois partidos.

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Só a líder centrista Assunção Cristas veio assumir, ao Expresso, como "positivo" o aparecimento do novo partido de Santana Lopes, como forma de ajudar a crescer o centro-direita face à união da esquerda. De resto, os dirigentes centristas não querem alimentar a nova força política no seu espaço político. Nuno Melo, vice-presidente do CDS, é lapidar sobre o ex-primeiro-ministro: “É um problema do PSD.”

Outros dirigentes, que preferiram o anonimato, lembram que os novos partidos “têm muitas dificuldades” em se afirmar. O exemplo encontra-se na própria casa, quando Manuel Monteiro saiu do CDS e criou a Nova Democracia, partido entretanto extinto. Agora o ex-líder mostra intenção de regressar ao CDS. “Manuel Monteiro foi um líder com muito sucesso no CDS e depois não se conseguiu eleger”, recorda um centrista, referindo que o caso do Bloco de Esquerda é diferente porque nasceu da fusão de três partidos em que um deles já tinha eleito deputados para a Assembleia da República. Os centristas olham com algum cepticismo para o impacto do novo partido no espaço político à direita. Só seria mais ameaçador se “houvesse uma cisão no PSD”. É certo que consideram que Santana Lopes pode “ir buscar votos à abstenção” mas não “assusta”. Até porque há desgaste. “Não tem o factor novidade como Macron [Presidente francês] teve”, observa um dirigente centrista.

Esse é também um aspecto salientado por Francisco Mendes da Silva, conselheiro nacional do CDS, que acredita, no entanto, que o novo partido poderá ser uma peça importante à direita. “Vai tentar ter um espólio mínimo e pôr um pé na porta como fez o Bloco”, afirma Mendes da Silva. O conselheiro nacional considera que Santana Lopes vai atrair alguns “deserdados ideológicos do PSD e do CDS”, apesar de Portugal “ter um espaço partidário bastante rígido” e de a Aliança ser “o primeiro partido a surgir com muita visibilidade”.

Outro democrata-cristão também mostra algum cepticismo sobre o sucesso de Santana: “Nas europeias podia fazer mossa no PSD e no CDS. Nas legislativas é uma caixa de surpresas”. O ex-líder social-democrata já assumiu que não será candidato nas europeias de 2019, mas ainda não revelou quem será o cabeça-de-lista.

Assunção Cristas tem defendido que nas próximas legislativas o que vai contar para formar Governo é a soma dos deputados à direita e a dos eleitos pela esquerda. Por isso, perante o aparecimento de um novo partido no seu espaço político, a líder do CDS não menospreza o contributo que pode ser essencial para crescer face à "geringonça": “Se os 116 deputados [que garantem a maioria parlamentar] vierem de mais partidos do que apenas dois, é melhor”.