Uma desejada fonte de música

A chegada do Festival Internacional de Música de Évora mostrou que há um público efusivo à espera de mais acontecimentos no domínio da música clássica.

Foto
CÂMARA MUNICIPAL DE ÉVORA

Évora acaba de criar um novo festival de música, baseado numa residência artística de que resultou um concentrado de quatro concertos em dias consecutivos, protagonizados por diferentes combinações dos 14 cantores e músicos envolvidos.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Évora acaba de criar um novo festival de música, baseado numa residência artística de que resultou um concentrado de quatro concertos em dias consecutivos, protagonizados por diferentes combinações dos 14 cantores e músicos envolvidos.

Não haverá melhor forma de acolher um novo projecto do que com uma entusiasmada casa cheia e foi precisamente isso o que aconteceu à chegada do Festival Internacional de Música de Évora.

Dez minutos antes do início do primeiro concerto deste festival integrado na dinâmica oferta do programa ‘Artes à Rua’, abriram-se as portas da bonita Igreja do Salvador do Mundo para acolher o numeroso público que paciente e ordenadamente aguardava, formando fila já ao dobrar da praça.

Talvez um pouco extenso (tendo em conta que nem toda a gente dispunha de lugares sentados), mas bastante apelativo, o programa andava muito à volta de temática amorosa e com obras até bastante divulgadas do compositor italiano Claudio Monteverdi (Cremona, 1567-Veneza, 1643), a que se juntaram peças instrumentais de contemporâneos seus como o veneziano Dario Castello e o espanhol Bartolomeo Selma y Salaverde. Em seu favor jogou a variedade – conjunto vocal e instrumental, só instrumentos ou vozes a capella, conjunto vocal misto, duo de vozes masculinas (como o bonito duo Zefiro torna, SV 251) ou de vozes femininas (Io son pur vezzosetta pastorella, do Livro VII de madrigais) – e até mesmo a diversidade espacial, com os cantores colocados atrás do público para interpretar Quel augellin, Che Canta, de Luca Marenzio (1553-1599).

Ainda que em termos gerais seja irrefutável a boa preparação dos cantores e músicos, e houvesse até cumplicidade, o nível entre eles é também algo heterogéneo. E ainda que algum do repertório tenha sido herdado do The Windsor Consort – que Mónica Monteiro, William Knight e João Moreira integram – talvez tenha ficado em falta um trabalho de amadurecimento, para que todo o projecto alcançasse o nível expectável. Destaquem-se a belíssima voz do contra-tenor William Knight e a destreza do flautista Benny Aghassi, bem como a presença do baixo Mathew Baker. Ocasionalmente também teria sido interessante equilibrar o entusiasmo de algumas vozes levando em conta as reduzidas dimensões do espaço.

Mas que genuína foi a manifestação de apreço manifestada pelo público presente, que tão efusivamente se ergueu para aplaudir a primeira manifestação de mais um festival de música a que se deseja longa vida!