Posição de Rui Rio pode valer-lhe mais contestação no PSD

Sociais-democratas reclamam mais debate interno sobre a legalização da eutanásia

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O líder do PSD arrisca a ser sujeito a mais contestação interna por causa das suas declarações em torno da despenalização da eutanásia. A sua posição a favor, as declarações sobre alegadas pressões em torno do voto dos deputados e a concessão de liberdade de voto à bancada já lhe valeram críticas directas de Pedro Santana Lopes e de Maria Luís Albuquerque.

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O líder do PSD arrisca a ser sujeito a mais contestação interna por causa das suas declarações em torno da despenalização da eutanásia. A sua posição a favor, as declarações sobre alegadas pressões em torno do voto dos deputados e a concessão de liberdade de voto à bancada já lhe valeram críticas directas de Pedro Santana Lopes e de Maria Luís Albuquerque.

A falta de debate interno no partido e a “ligeireza” com que Rui Rio lidou com o assunto está a deixar perplexos os sociais-democratas, segundo fontes contactadas pelo PÚBLICO. A questão não foi discutida em reuniões alargadas aos dirigentes nem no Conselho Nacional, o órgão máximo entre congressos, acrescentam as mesmas fontes, lembrando que até poderia ter sido convocada uma reunião exclusivamente sobre o tema. 

A maioria da bancada parlamentar (89 deputados) está contra, mas há pelo menos sete votos a favor. Caso a despenalização da eutanásia seja aprovada (graças à liberdade de voto concedida e aos votos a favor), os críticos de Rio antevêem que a matéria possa ser mais um motivo de contestação interna. Até porque há várias figuras sociais-democratas a vir a público fazer um statement com o seu voto contra. 

O ex-líder parlamentar Hugo Soares não aponta directamente o dedo a Rio, mas num artigo de opinião publicado no PÚBLICO assume que não é só uma questão de consciência que pode ditar o sentido de voto na matéria - como tem argumentado o líder do partido - , é também a falta de mandato dos deputados para decidir sobre a questão. No núcleo duro de Passos Coelho, a voz mais contundente foi a da ex-ministra das Finanças Maria Luís ao assumir no Observador estar em “choque” com as declarações de Rio quando referiu haver “excessiva pressão” por parte dos apoiantes do ‘não’ para tentar convencer os defensores do ‘sim’ a mudarem de opinião. A deputada e ex-vice-presidente de Passos Coelho condenou o excesso das declarações do líder do partido, considerando “incompreensível” que tenha dito que “os projectos de lei não são difíceis de perceber” pelos portugueses. “[Rui Rio] decidiu dar liberdade de voto ao grupo parlamentar. Expressou a sua posição pessoal. Precisamente porque é líder do PSD e porque deu liberdade de voto devia ter-se ficado por aí”, escreveu. 

A posição favorável à eutanásia de Rui Rio já levou a que o antigo presidente da câmara da Covilhã Carlos Pinto entregasse o cartão de militante como forma de protesto. 

Com este clima, o líder do PSD decidiu conter-se nas suas declarações aos jornalistas esta segunda-feira, apelando apenas a que os deputados votem em consciência. "O PSD, ao dar uma completa liberdade de voto aos deputados, isso pressupõe justamente que não haja pressões e que as pessoas sejam completamente livres na sua decisão. O que eu gostaria é que cada um dos deputados, cada dos 89, aja em função da sua consciência”, afirmou, citado pela Lusa, no Porto, à margem de uma reunião com a direcção do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Advogados.

Já no passado sábado Pedro Santana Lopes defendeu, ao Expresso, que “não se devem viabilizar as iniciativas propostas por grupos parlamentares da frente esquerda”, tendo em conta que esta Assembleia não tem “mandato popular para decidir sobre esta questão”. Outros dois ex-líderes do PSD interromperam o recato a que se têm votado para se assumirem contra a despenalização da eutanásia: Cavaco Silva e Passos Coelho.

O antigo Presidente da República Cavaco Silva admitiu mesmo à Rádio Renascença não votar, em próximas eleições legislativas, em partidos que apoiem a legalização da eutanásia.