Revelações sobre o escândalo da venda de terras do Estado fragilizam Shinzo Abe

Ministro das Finanças vai ao Parlamento admitir manipulação dos contratos, o que pode comprometer o primeiro-ministro.

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Shinzo Abe Reuters

O ministro japonês das Finança vai admitir que foram feitas alterações a documentos relacionados com uma controversa venda de terras do Estado, revelou uma pessoa ligada ao processo e citada pela Reuters. O declaração vai inflamar o caso e atingir o primeiro-ministro, Shinzo Abe.

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O ministro japonês das Finança vai admitir que foram feitas alterações a documentos relacionados com uma controversa venda de terras do Estado, revelou uma pessoa ligada ao processo e citada pela Reuters. O declaração vai inflamar o caso e atingir o primeiro-ministro, Shinzo Abe.

A admissão do ministro vai ser feita segunda-feira no parlamento de Tóquio. Ali, vai dizer que há sinais de que bocados do documento foram apagados da versão final que foi dada aos deputados, disse a fonte que falou com a Reuters.

Esta admissão vai ser um golpe para Shinzo Abe, que há meses luta para se libertar da suspeita de que um construtor intercedeu junto da sua mulher  para baixar o preço das terras na cidade de Osaka. 

A pressão vai apanhar também o ministro das Finanças, Taro Aso, que disse que não pretende demitir-se devido a este caso que já levou à demissão do chefe da Agência Nacional de Impostos, Nobuhisa Sagawa.

No dia em que Sagawa se demitiu, a imprensa japonesa disse que a polícia está a investigar como suicídio a morte de um funcionário do departamento do Ministério das Finanças que geriu a venda.

O porta-voz do Governo não quis comentar.

O escândalo eclodiu em Fevereiro, quando os partidos da oposição levaram o assunto ao Parlamento depois de o jornal Asahi ter escrito que alguns documentos da venda podiam ter sido manipulados.

Abe negou que ele ou a sua mulher tenham facilitado a venda ao construtor que mediou o negócio feito em nome de uma escola.

Abe não está em risco. A sua coligação tem a maioria nas duas câmaras do Parlamento. Porém, um escândalo desta dimensão pode complicar a sua candidatura a um terceiro mandato como líder do Partido Liberal Democrático - a votação é em Setembro e, se for reeleito, torna-se o primeiro-ministro com mais anos no cargo no Japão.