Contra o Presidente

Recomendável apenas a quem tenha um interesse especial pelas representações cinematográficas do caso Watergate.

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O Watergate e os fantasmas de Nixon estão na moda, “et pour cause”. Este filme de Peter Landesman podia ser um lado B dos Homens do Presidente de Pakula, contando a mesma história pela perspectiva daquele que então, nos anos 70, era apenas conhecido como “Garganta Funda”, o principal e anónimo informador dos jornalistas do Washington Post – só muitos anos depois, e praticamente no leito de morte, é que Mark Felt, alto responsável do FBI, permitiu que se soubesse que o “Garganta Funda” era ele.

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O Watergate e os fantasmas de Nixon estão na moda, “et pour cause”. Este filme de Peter Landesman podia ser um lado B dos Homens do Presidente de Pakula, contando a mesma história pela perspectiva daquele que então, nos anos 70, era apenas conhecido como “Garganta Funda”, o principal e anónimo informador dos jornalistas do Washington Post – só muitos anos depois, e praticamente no leito de morte, é que Mark Felt, alto responsável do FBI, permitiu que se soubesse que o “Garganta Funda” era ele.

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O filme conta, pois, a sua história, a sua versão dos factos, com ênfase na sua tormenta pessoal – a diferença entre “traír o país” ou trair, apenas, a estrutura de poder em que está inserido. Rico em acontecimentos e peripécias, preocupado com uma abordagem “jornalística” que no fim de contas se revela apenas tremendamente académica e “telefilmesca”, o filme de Peter Landesman acaba por ser bastante cego às potencialidades dramáticas da personagem, sempre a verbalizar e a sublinhar as suas angústias. Nem Liam Neeson, que parece sempre preso dentro do “make up”, pode muito contra isso, nem ele nem, a bem dizer, nada aqui respira muito bem, e o filme esgota-se numa exposição desinteressantemente “didáctica” do episódio histórico. Recomendável apenas a quem tenha um interesse especial pelas representações cinematográficas do Watergate; aos outros, mais vale sugerir uma revisão do filme de Pakula.