Alemanha

Enfraquecida, Merkel dá um ministério ao seu maior crítico

Chanceler anuncia neste domingo quem fica com que cargo no próximo governo.
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Merkel e Jens Spahn, o maior crítico da chanceler na CDU HAYOUNG JEON/EPA

A chanceler alemã Angela Merkel vai dar ao maior crítico que tem dentro do seu partido conservador, Jens Spahn, um lugar no futuro governo. Será ministro da Saúde.

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Merkel, que espera a resposta definitiva dos social-democratas do SPD sobre a formação de uma nova grande coligação, o que lhe dará o quarto mandato à frente do Governo alemão, vai anunciar as suas escolhas para seis ministérios este domingo ao fim da tarde, no congresso dos democratas-cristãos (CDU). 

Apesar de os líderes do SPD terem concordado com a “grande coligação”, o partido necessita da aprovação dos militantes, estando a decorrer uma votação vinculativa e não há quem arrisque dizer que o acordo vai ser aprovado. Ao dar a Spahn o lugar de ministro da Saúde, Merkel quer dizer aos críticos que quer sangue novo e ideias novas no Governo e no partido. 

Jens Spahn criticou duramente Merkel pela sua política de portas abertas aos refugiados e é considerado o líder da facção mais à direita do partido. Apesar desta nomeação reflectir o enfraquecimento da posição de Merkel, alguns analistas dizem que é uma jogada para incluir o seu maior crítico no gabinete e mantê-lo do seu lado.

Fonte partidária confirmou a nomeação ao jornal Bild am Sonntag, que também diz que, como esperado, a chanceler decidiu pôr o seu aliado de longa data Peter Altmaier à frente do ministério da Economia. Este jornal também diz que Ursula von der Leyen, que chegou a ser considerada a sucessora de Merkel, mantém o Ministério da Defesa, e que Julia Klöckner irá para a Agricultura.

A fonte do partido que falou com a Reuters não confirmou ou negou estas atribuições.

Depois de 12 anos como chanceler e quase 18 como chefe da CDU, a autoridade de Merkel está a declinar.

O seu bloco conservador, que inclui a União Social Cristã da Baviera, obteve o pior resultado desde 1949 nas eleições de Setembro, depois de algum do seu apoio ter passado para a Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita.
Num golpe ainda maior, não conseguiu arrancar um acordo de coligação com dois partidos mais pequenos (os Liberais e os Verdes), o que a forçou a voltar-se para o SPD com quem partilhou o poder entre 2013 e 2017. Parceiro relutante, que teve o pior resultado desde a II Guerra Mundial, o SPD concordou com uma coligação mas os militantes têm que a aprovar.

O resultado da votação é conhecido a 4 de Março. Se os militantes votarem “não”, ou se realizam novas eleições ou Merkel avança para um Governo minoritário. 

Alguns analistas disseram que a possibilidade de ter que haver novas eleições podem levar os militantes do SPD a votar “sim” para impedirem o partido de não afundar ainda mais. Uma sondagem do instituto Emnid publicada neste domingo diz que o apoio ao SPD desceu mais dois pontos numa semana, estando em 17%. 

Respondendo aos que questionam como será o futuro da CDU, Merkel prometeu “renovar” o Governo e integrar dirigentes mais jovens. Na semana passada disse que Annegret Kramp-Karrenbauer, que chefia o governo do Sarre, é a sua candidata para lhe suceder como secretária-geral do partido. O Congresso deve confirmar segunda-feira Annegret Kramp-Karrenbauer no cargo e aprovar também a coligação com o SPD. 

O SPD e a CSU prevêem anunciar mais tarde quem irá ocupar os cargos que lhes pertencem na coligação.