A explosão dos DOC Douro

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Adriano Miranda

Com as vendas globais em volume do vinho do Porto a declinarem há mais de uma década, há um novo actor que, a cada ano que passa, fica no centro das atenções das empresas e dos produtores: o DOC Douro. No espaço de uma década, as vendas de vinhos tranquilos (não fortificados) com a denominação de origem Douro mais do que duplicaram, passando de 26 para 53,2 milhões de garrafas. No mesmo período, o volume de negócios passou de 72,6 para 157,3 milhões de euros. Actualmente, o volume de vinho do Douro comercializado representa já 53% das quantidades de vinho do Porto vendidas -  em 2005 representavam 16%. Enquanto o vinho do Porto regride em volume, o DOC Douro tem crescido a ritmos na ordem dos dois dígitos.

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Com as vendas globais em volume do vinho do Porto a declinarem há mais de uma década, há um novo actor que, a cada ano que passa, fica no centro das atenções das empresas e dos produtores: o DOC Douro. No espaço de uma década, as vendas de vinhos tranquilos (não fortificados) com a denominação de origem Douro mais do que duplicaram, passando de 26 para 53,2 milhões de garrafas. No mesmo período, o volume de negócios passou de 72,6 para 157,3 milhões de euros. Actualmente, o volume de vinho do Douro comercializado representa já 53% das quantidades de vinho do Porto vendidas -  em 2005 representavam 16%. Enquanto o vinho do Porto regride em volume, o DOC Douro tem crescido a ritmos na ordem dos dois dígitos.

Até onde? “O vinho do Douro tem muito a crescer ainda, apesar da concorrência muito intensa nos mercados”, diz Manuel Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. “Uma grande parte do mercado do vinho do Douro [63% no ano passado] está em Portugal, e aqui a concorrência pode levar a um esgotamento da actual tendência de crescimento, pelo que é necessário procurar alternativas lá fora”, diz António Filipe, do grupo Symington que, à semelhança da quase generalidade de empresas do sector apostou neste segmento dos vinhos durienses. “Mesmo em Portugal as perspectivas de crescimento são enormes, porque ainda há muito trabalho a fazer nos mercados de Lisboa ou do Algarve”, diz Isabel Marrana, líder da Associação de Empresas do Vinho do Porto e Douro.

Aumentar

As opiniões de diferentes matizes sobre o futuro do DOC Douro não escondem o essencial: o vinho do Porto tem hoje um rival, ou um complemento, fundamental na estratégia das empresas e da produção duriense. Hoje, só a Fladgate Partnership se mantém fiel em exclusivo ao vinho do Porto. Todas as outras têm em curso estratégicas de desenvolvimento dos vinhos tranquilos. Algumas, casos da Ferreira ou da Niepoort, são hoje mais empresas de DOC Douro do que de vinho do Porto. Para lá de terem entrado em jogo dezenas de novos actores que começaram a fazer vinho do Douro e só mais tarde começaram a apostar no vinho do Porto.

O problema maior do DOC Douro não está no volume, mas no preço. Na última década, o valor médio por litro cresceu pouco: de 3,72 euros para 3,94 em 2017. Mais: de 2013 para o ano passado, o litro depreciou-se até em dez cêntimos por litro. Sendo o Douro uma região pouco produtiva e montanhosa, o que é um entrave à mecanização, uma grande parte do vinho do Douro está a chegar ao mercado a preços abaixo do custo. Uma vez que uma mesma vinha duriense produz vinho fortificado e vinho tranquilo, e dado que os preços na produção do vinho do Porto são entre quatro e cinco vezes mais elevados, está a haver uma transferência (ou, como também se diz uma “subsidiação”) do vinho do Porto ao DOC Douro.

“A palavra de ordem é a valorização do DOC Douro”, diz Isabel Marrana. Para esse efeito, o IVDP afirma que está em curso uma discussão para actualizar as regras de produção e do comércio de um sector tradicionalmente conservador. Apesar de todos os problemas, o DOC Douro é o personagem incontornável do futuro da região. “Se não fosse o DOC Douro o sector estaria hoje muito pior”, diz António Filipe. Ninguém é capaz de discordar.