Depois da turbulência, Turquia quer melhorar as relações com a Alemanha

Ministro dos Negócios Estrangeiros turco é recebido este sábado na Alemanha e espera "um novo começo" nas relações bilaterais. Berlim exige libertação de jornalista turco-alemão.

Foto
Erdogan acusou os jornalistas de fortalecerem o terrorismo EPA/LUDOVIC MARIN / POOL

O chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, deixou apelos para que se abra “um novo começo” nas relações entre a Turquia e a Alemanha, marcadas por vários episódios conturbados nos últimos tempos.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, deixou apelos para que se abra “um novo começo” nas relações entre a Turquia e a Alemanha, marcadas por vários episódios conturbados nos últimos tempos.

“Ambos os lados têm interesse num novo começo da relação bilateral, numa altura em que vivemos num tempo cheio de desafios”, escreveu Cavusoglu num artigo de opinião publicado em vários jornais do grupo Funke. “Este não é o tempo para a diplomacia de megafone”, acrescentou o ministro, que será recebido pelo homólogo alemão, Sigmar Gabriel, este sábado.

A Alemanha tem sido muito crítica da perseguição levada a cabo pelas autoridades turcas na sequência do golpe falhado de Julho de 2016 e que também atingiu vários cidadãos de nacionalidade alemã. Um deles é o jornalista Deniz Yucel, correspondente do jornal Die Welt, detido há mais de um ano.

Foi esse caso que Gabriel voltou a lembrar, para exigir a sua libertação. Numa entrevista à revista Der Spiegel, o ministro disse que a exportação de armamento alemão para a Turquia irá continuar suspensa “até que o caso de Yucel seja resolvido”.

“Se não falarmos um com o outro, a situação certamente não irá melhorar, nem entre os nossos dois países, nem para os indivíduos ainda detidos”, acrescentou Gabriel.

Cavusoglu pediu aos dirigentes alemães que mostrem mais “empatia” em relação à Turquia e diz ter havido uma falta de compreensão do “trauma” provocado pela tentativa de golpe – que o Governo de Ancara diz ter sido orquestrado por uma rede ligada ao clérigo muçulmano Fethullah Gülen.

As relações entre os dois países também foram afectadas pela recusa da Alemanha em autorizar a realização de comícios de ministros turcos junto da comunidade turca residente no país durante a campanha para o referendo do ano passado. Apesar da discórdia na frente diplomática, os dois países continuam a ser importantes parceiros comerciais, com trocas superiores a 170 mil milhões de euros nos últimos cinco anos.

Enquanto o seu ministro dos Negócios Estrangeiros procurava reatar as relações com a Alemanha, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, dizia, durante uma visita a Paris em que foi recebido por Emmanuel Macron, que alguns jornalistas ajudavam o terrorismo a florescer: "O terror não surge sozinho, o terror e os terroristas têm jardineiros".