CTT sobem na bolsa à boleia do novo plano de reestruturação

Títulos tiveram a ter a melhor prestação do PSI 20 depois de a empresa ter apresentado estratégia que engloba corte de pessoal e de lojas

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Faancisco Lacerda, presidente executivo dos CTT Nuno Ferreira Santos

As acções dos CTT subiram 4,61% para 3,65 euros na sessão desta quarta-feira com os investidores a mostrarem uma reacção positiva após a apresentação do plano de reestruturação da empresa, revelado terça-feira, ao final da tarde. Logo após o início da sessão desta quarta, os títulos chegaram mesmo a subir 8%, mantendo-se como a melhor prestação do índice PSI 20, que teve uma pequena descida.

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As acções dos CTT subiram 4,61% para 3,65 euros na sessão desta quarta-feira com os investidores a mostrarem uma reacção positiva após a apresentação do plano de reestruturação da empresa, revelado terça-feira, ao final da tarde. Logo após o início da sessão desta quarta, os títulos chegaram mesmo a subir 8%, mantendo-se como a melhor prestação do índice PSI 20, que teve uma pequena descida.

"O mercado acabou por gostar deste aliviar de despesa anunciado pelo operador e o facto de manter o dividendo [relativo a 2017] foi muito importante", disse José Novo, trader da Orey iTrade, à Reuters.

A administração liderada por Francisco Lacerda revelou na terça-feira que “o plano de transformação operacional irá preparar a próxima etapa de crescimento e eficiência operacional nos CTT, mas impactará a política de dividendos no curto prazo”. Mesmo assim, ficou garantido que irá ser proposto o pagamento de um dividendo de 0,38 euros por acção em 2018, referente ao exercício de 2017, o que terá tranquilizado os investidores (a empresa tem o capital bastante disperso, com muitos pequenos accionistas).

Já em relação a 2018 e 2019, período em que a estratégia agora apresentada será implementada, o conselho de administração diz que vai propor “que a empresa implemente uma política de dividendos alinhada com o seu resultado líquido, reforçado com a utilização de reservas distribuíveis”.  

"O facto de termos uma estrutura financeira sólida, não termos dívida bancária significativa, e termos caixa significativa é uma base sólida para apoiar a transformação profunda que, como em qualquer operador postal, tem de ocorrer", afirmou Francisco Lacerda em entrevista à Reuters, divulgada nesta manhã. "Facilita [o plano] porque não estamos a falar de uma empresa endividada e com problemas por essa razão, estamos a falar de uma empresa que tem o negócio-base em profunda transformação e está a fazê-lo, mas em cima de uma estrutura financeira sólida", acrescentou o gestor.

Para Lacerda, a empresa tem de se ajustar à realidade de diminuição do correio tradicional, em que se verifica uma "redução mais alta” do que se antecipava. "A digitalização é uma realidade incontornável e, portanto, nas tarefas administrativas estão pessoas a ser substituídas por computadores e isso passa-se em todas as empresas", sublinhou.

"Na frente mais operacional, temos determinados objectivos de redução de pessoas no sentido de nos tornar mais eficientes e a funcionar bem com menos pessoas. Isso parte de alguns contratados a prazo que temos e que se calhar a maior parte no futuro deixará de ser necessária", disse ainda o presidente dos CTT.

O plano prevê a redução da força de trabalho equivalente a 800 trabalhadores a tempo inteiro nos próximos três anos. Quanto aos balcões a encerrar, nada diz sobre o número nem a localização dos mesmos. O plano foi apresentado nas vésperas de greve geral de dois dias, convocada para 21 e 22 de Dezembro pelos sindicatos afectos à UGT e à CGTP.

Por parte dos partidos políticos, o PS já disse que quer ouvir a administração da empresa no Parlamento e o Bloco de Esquerda leva a "situação preocupante" ao debate quinzenal que se realiza na Assembleia da República nesta quarta-feira.