Ministro da Saúde pede desculpa pelo surto

“Tudo faremos para que se apurem todas as responsabilidades", prometeu Adalberto Campos Fernandes. “Tem de haver direito à reparação destas pessoas por quem, no domínio da responsabilidade civil, possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito."

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NUNO FOX/LUSA

O Ministro da Saúde pediu nesta segunda-feira desculpa às vítimas do surto de Legionella do Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, que já levou à morte de cinco pessoas e conta com 50 infectados. E pediu responsabilidade civil no caso de se vir a apurar que alguém não cumpriu as suas responsabilidades de vigilância.  

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O Ministro da Saúde pediu nesta segunda-feira desculpa às vítimas do surto de Legionella do Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, que já levou à morte de cinco pessoas e conta com 50 infectados. E pediu responsabilidade civil no caso de se vir a apurar que alguém não cumpriu as suas responsabilidades de vigilância.  

“Tenho a lamentar mais um óbito relacionado com surto de Legionella. O Governo acompanha a posição de que os utentes são credores de um pedido de desculpa do hospital, das empresas que tinham obrigação de fazer vigilância, da Administração Regional de Saúde (ARS) e de mim próprio, que tutelo a área”, disse Adalberto Campos Fernandes durante o debate sobre o orçamento da saúde para 2018.

Horas antes, a Direcção-Geral da Saúde actualizou o balanço do surto que teve origem no Hospital S. Francisco Xavier, com a notificação de mais uma morte e dois novos casos de infecção notificados, elevando o número de óbitos para cinco.

“Tudo faremos para que se apurem todas as responsabilidades. Não se pode fazer com esta matéria nenhum tipo de demagogia. Não se pode excluir a convivência com esta bactéria, mas não pode ser desculpa para que os hospitais e as empresas não estejam reguladas por legislação mais exigente e um quadro sancionatório mais firme e, por isso, congratulamo-nos com a proposta do Bloco de Esquerda para alterar a legislação”, afirmou o ministro. Que, acrescentou, logo no dia 3 de Novembro deu indicações para que todas as instituições sejam "de imediato submetidas a avaliações de segurança".

Também o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, esteve na semana passada no Parlamento e anunciou que estava em preparação nova legislação com regras mais apertadas e fiscalizações a partir do início do próximo ano.

“Tem de haver direito à reparação destas pessoas por quem, no domínio da responsabilidade civil, possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito”, defendeu nesta segunda-feira Adalberto Campos Fernandes. E adiantou que a Direcção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional Ricardo Jorge irão publicar orientações actualizadas e “orientações muito mais exigentes."

“Esperamos que, tal como indicam as previsões do comportamento do surto, estejamos na fase final do mesmo”, referiu.

A deputada Isabel Galriça Neto, do CDS-PP, fez questão de registar "que o senhor ministro veio pedir desculpa pelo sucedido", acrescentando: "Os portugueses merecem."

A deputada comunista Carla Cruz também manifestou a "solidariedade do PCP com as vítimas e para com as famílias das vítimas". "O PCP já apresentou requerimento para o ministro falar sobre o surto", acrescentou.