O metro “já foi promessa” em Loures e 13 mil pessoas voltam a reclamá-lo

A adesão à petição pública, criada há três semanas, é sintomática do “desejo e necessidade da população de ter melhores condições de deslocação”, suporta a câmara de Loures. O executivo diz que este é o “único concelho à volta de Lisboa que não tem alternativa ao transporte rodoviário."

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O mapa do metro ainda não cobre o território de Loures Enric Vives-Rubio

Em 2009, a então secretária de Estado dos Transportes, a socialista Ana Paula Vitorino, deslocou-se a Loures para anunciar a chegada do metropolitano ao concelho, com a construção das estações de Portela e Sacavém, Torres da Bela Vista/Frielas, Santo António, Loures e Infantado. Respondia a uma reivindicação com várias décadas da população, mas o plano não saiu da gaveta.

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Em 2009, a então secretária de Estado dos Transportes, a socialista Ana Paula Vitorino, deslocou-se a Loures para anunciar a chegada do metropolitano ao concelho, com a construção das estações de Portela e Sacavém, Torres da Bela Vista/Frielas, Santo António, Loures e Infantado. Respondia a uma reivindicação com várias décadas da população, mas o plano não saiu da gaveta.

Oito anos depois, aquilo que já foi promessa volta a ser reclamado pela cidade. Por iniciativa da Câmara de Loures, está circular na Internet e em várias associações do concelho uma petição pública. São mais de 13 mil os assinantes.

Os signatários pedem ao Governo “a concretização da extensão do metropolitano ao concelho de Loures, por um lado a Santo António dos Cavaleiros, Loures e Infantado, e, por outro, à Portela e a Sacavém”. Esta é uma “necessidade imperiosa para Loures”, o “único concelho à volta de Lisboa que não tem alternativa ao transporte rodoviário”, instou o autarca Bernardino Soares. A estação de Moscavide fica nos limites do concelho, fazendo fronteira com Lisboa.

A "forte adesão" à petição, criada a 5 de Junho, é sintomática do “desejo e necessidade da população de ter melhores condições de deslocação”, nota o presidente da câmara. Ainda que existam problemas de mobilidade dentro do próprio concelho, o comunista Bernardino Soares acredita que este é o “momento certo para fazer força com o Governo para que nas próximas decisões seja considerada a expansão do metro para Loures e Sacavém”.

A criação da petição, aprovada por unanimidade em reunião de câmara no final de Maio, surge na sequência do anúncio do Governo de expansão da rede dentro da cidade de Lisboa (Santos e Estrela em 2021/2022, Campolide e Amoreiras num segundo momento).

Este meio de transporte privilegiaria a mobilidade para a capital, amortecendo “uma boa parte do trânsito de toda a zona Oeste que vai trabalhar ou estudar para Lisboa”, destaca. Para o autarca comunista, o metro beneficiaria não só Loures como as cidades vizinhas de Mafra, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, cujos moradores atravessam diariamente o concelho para chegar à capital.

“Mas não estamos apenas a falar de uma questão de qualidade de vida, como de uma questão ambiental”, acrescenta. Segundo os dados da autarquia, um quatro dos 200 mil habitantes do concelho estuda ou trabalha em Lisboa e desloca-se numa viatura própria para a capital. “E isso pode ser invertido com esta proposta”, remata.

Tirar carros de Lisboa

A autarquia ainda não definiu a data para entrega da petição na Assembleia da República, para que a proposta seja discutida pelos deputados. Entretanto, reúne o apoio de personalidades artísticas, como Rita Redshoes, e associações locais, entre os quais a Associação de Defesa do Ambiente de Loures e a recém-criada Comissão de Utentes dos Transportes Públicos de Sacavém.

Ao PÚBLICO, o porta-voz da comissão, Fernando Vaz, explicou que, embora a principal demanda dos utentes seja a extensão da Carris à cidade, “a chegada do metro seria a cereja no topo do bolo”.

Fernando apoia-se nos números: segundo a comissão, 68,8% dos utilizadores de transportes públicos de Sacavém tem de usar a Rodoviária de Lisboa por falta de outra opção. “Um serviço que, em termos de custos e condições é o pior”, afirma o porta-voz. Uma viagem na Carris, do Parque das Nações Norte ao Martim Moniz, em Lisboa, fica-lhe por 1,80 euros na Carris. Pela Rodoviária, de Sacavém ao Oriente, custa-lhe 2,30 euros.

Para além da “evidente vantagem económica para os utentes”, por ser um ponto de passagem, Fernando acredita que Sacavém pode desempenhar um “papel essencial” para diminuir o número de carros que circulam na capital. Também para o autarca Bernardino Soares a expansão do metro permitiria "melhorar a qualidade de vida em Loures e na própria cidade de Lisboa".