Velhos armazéns do Vinho do Porto transformam-se no Mundo do Vinho

O Mundo do Vinho vai arrancar, ocupando 30 mil metros quadrados de armazéns abandonados no coração do centro histórico de Gaia. A obra foi simbolicamente lançada esta quinta-feira, mesmo não estando ainda licenciada. A abertura está prevista para daqui a três anos.

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Um conjunto de velhos armazéns vazios, no centro histórico de Vila Nova de Gaia, vai ser transformado num projecto turístico dedicado ao vinho, num investimento de cerca de 100 milhões de euros, que deverá abrir portas em 2020. O Mundo do Vinho – World of Wine (WoW) é a nova proposta da The Fladgate Partnership, dona do The Yeatman, para a margem sul do Douro e conta com cinco grandes áreas. A sua concretização vai obrigar à demolição de alguns armazéns.

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Um conjunto de velhos armazéns vazios, no centro histórico de Vila Nova de Gaia, vai ser transformado num projecto turístico dedicado ao vinho, num investimento de cerca de 100 milhões de euros, que deverá abrir portas em 2020. O Mundo do Vinho – World of Wine (WoW) é a nova proposta da The Fladgate Partnership, dona do The Yeatman, para a margem sul do Douro e conta com cinco grandes áreas. A sua concretização vai obrigar à demolição de alguns armazéns.

O projecto foi apresentado ao final da tarde desta quinta-feira, quando o director-geral do grupo ligado à hotelaria e ao Vinho do Porto, Adrian Bridge, e o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, lançaram a primeira pedra do projecto que, segundo os dados da empresa, vai criar 350 postos de trabalho directos a partir de Junho de 2020 (data prevista de abertura), empregando, até lá, na sua construção, mais 150 pessoas.

O Mundo do Vinho vai ocupar, inicialmente, uma área de 30 mil metros quadrados, podendo crescer posteriormente mais 7500 metros quadrados. Num comunicado que acompanha o dossier de imprensa, Adrian Bridge escreve que este é “um momento histórico para transformar o espaço para novos usos”, argumentando que esta é “uma oportunidade rara para qualquer cidade”. No local onde vai nascer o projecto, e na presença de vários convidados, incluindo o vereador do Turismo da Câmara do Porto, Manuel Aranha, o empresário disse que o complexo será "uma atracção com impacto mundial", porque é preciso mais do que oferta hoteleira para continuar a cativar turistas. "É necessária uma oferta inconfundível, diferenciada e da mais alta qualidade. Muitos parecem confundir o crescimento do turismo com a oferta de hotelaria. Sem nada para os visitantes fazerem, haverá excesso de alojamento", defendeu. Na zona de armazéns propriedade do grupo empresarial, que se estende abaixo do The Yeatman, vai nascer uma nova praça, em anfiteatro, em torno da qual será possível contactar com várias experiências ligadas ao vinho e à região.

A abertura desta praça implicará a demolição de dois armazéns que, segundo Eduardo Vitor Rodrigues, não têm valor histórico e poderiam ser destruídos mesmo que a zona estivesse classificada. "Estamos a falar de dois pequenos armazéns, não são caves, que tem fibrocimento no telhado. Tudo o resto é mantido e há uma requalificação de um dos armazéns, que implica o aumento da sua capacidade", disse-nos autarca ao PÚBLICO. Pouco antes, no discurso que fez aos presentes, o presidente da Câmara de Gaia, já deixara clara a sua posição a eventuais críticas eu possam surgir ao enorme projecto privado no coração do centro histórico. Este, disse, "tem muito de tradição, de típico, de extraordinariamente histórico, mas não é um espaço museológico". "Se queremos ousar, criar futuro, não o podemos deixar de olhar como espaço vivo", defendeu.

Um a um, os armazéns serão transformados em "museus" centrados na interactividade e no proporcionar de experiências, seja no Wine Experience (espaço com mais de três mil metros quadrados, dedicado aos vinhos de todo o país, sem deixar de fora as ilhas, mas excluindo o Vinho do Porto); no Cork Experience (sob a orientação do Grupo Amorim, este será o local para se descobrir a importância da cortiça); no Porto Through the Ages (como o nome indica, neste espaço será possível percorrer mais de mil anos da história da região Norte, através de experiências interactivas); no Fashion & Design (zona dedicada à moda e ao design que se cria na região); e no The History of Drinking Vessels (tudo o que nunca imaginou sobre a história dos copos).

Além destas zonas de visita bem definidas, o projecto do grupo que também possui marcas como a Taylor’s ou a Croft, conta com outras propostas. Está prevista a criação de uma área de 600 metros quadrados para exposições temporárias e a abertura de pequenas lojas dedicadas, em exclusivo, ao artesanato mais característico da região, como a filigrana, a cerâmica, a cestaria ou a escovaria. Na área está prevista também a criação de uma Escola de Vinho, que o grupo apresenta como “o local de referência em Portugal, onde profissionais e enófilos poderão aprender sobre vinhos portugueses”. Em torno da praça central, com vistas sobre o Porto, haverá espaço para 12 espaços de restauração e o incentivo final para que os visitantes ali dêem um salto é a criação de um parque de estacionamento subterrâneo com capacidade para 150 viaturas.

Há três anos que o grupo de Adrian Bridge andava a preparar este projecto. Acompanhado pela Direcção Regional de Cultura do Norte, o WoW ainda não está licenciado, mas Eduardo Vitor diz que o licenciamento deverá estar concluído "em dois meses", estando pendente de obras relacionadas com um novo acesso que será criado.

Tal como dissera, há cerca de um ano, em declarações ao PÚBLICO, Adrian Bridge destacou que o objectivo deste projecto é diversificar a oferta para os turistas, na expectativa que estes prolonguem a sua estadia na região (passando da média actual de "2,6 noites para mais de 3 noites") e que a visitem durante todo o ano. 

Os investidores estimam que o Mundo do Vinho receba, nos primeiros tempos, 560 mil visitantes. O projecto de potencial interesse nacional (PIN) é "um dos maiores projectos de desenvolvimento num centro urbano, não apenas em Portugal, mas na Europa", afirmou Adrian Bridge, antes de pegar na pá e, na companhia do autarca de Gaia, afastar um pedaço de terra que simbolizou o arranque da obra. O licenciamento é já a seguir.