Saída do PDE "não é o fim da linha", diz PS

Verdes pedem ao Governo que "não baixe os braços". PS fala em inversão de ciclo e promete continuar a trabalhar para melhorar resultados. PCP desvaloriza saída e diz que há défice de investimento.

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Os partidos da esquerda estão contentes com o resultado anunciado esta segunda-feira pela Comissão Europeia, mas pedem ao Governo que não fique confortável, "não baixe os braços" e aproveite a margem para investir na economia.

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Os partidos da esquerda estão contentes com o resultado anunciado esta segunda-feira pela Comissão Europeia, mas pedem ao Governo que não fique confortável, "não baixe os braços" e aproveite a margem para investir na economia.

Saída do PDE "não é o fim da linha", diz PS

Para João Galamba, porta-voz do PS, a decisão da Comissão Europeia é "um incentivo muito grande" e um "voto de confiança e de reconhecimento de que Portugal está no bom caminho e está numa trajectória de sustentabilidade. É um sinal encorajador para o país e para o Governo". 

Contudo, admitiu, "não é o fim da linha". "Importa continuar a trabalhar para o crescimento da economia, melhorar o mercado de trabalho e descer o défice", defendeu o socialista. 

Quando foi questionado pelos méritos do anterior Governo, Galamba disse que os "resultados não se fazem sozinhos" e, como tal, "todos contribuíram". Apesar disso, o socialista não deixou de sublinhar que Portugal esteve "à beira de sofrer sanções por incumprimento das obrigações orçamentais nos anos de 2014 e 2015. O actual Governo conseguiu evitar essas sanções e inverter o ciclo que estava criado, alcançando resultados encorajadores em matéria de défice, emprego e crescimento".

Galamba sublinhou esta ideia de inversão do "ciclo da desconfiança", com "um programa diferente daquele que estava a ser seguido - um programa que foi olhado com desconfiança por contrariar alguma ortodoxia europeia", defendeu citado pela Lusa.

"Investir na economia" e "proteger os mais castigados", pede o BE

Para o Bloco de Esquerda, é agora tempo de aproveitar a oportunidade para "ganhar margem para investir na economia e para proteger as pessoas", em especial aquelas que foram "mais atingidas e mais castigadas" pelas políticas de austeridade ditadas pelas regras europeias. "Falamos dos trabalhadores pobres que não ganham o suficiente para poder viver com dignidade; dos serviços públicos, da saúde e da educação, tão atacados pela austeridade; dos 2,6 milhões de pessoas em risco de pobreza num país que tem 10 milhões de pessoas", anumerou a deputada Mariana Mortágua perante os jornalistas, no Parlamento.

A deputada insistiu que "toda a margem adicional tem que ser usada para reconstruir o que foi destruído pela austeridade" - "e vai demorar muito tempo até se reconstruir o que perdemos em quatro anos" - e é preciso recusar as ordens de "reformas" que vêm de Bruxelas, porque isso significa sempre "baixar salários, cortar direitos, precarizar o mercado de trabalho e privatizações".

"É preciso um plano alternativo ao que impõe Bruxelas", defendeu ainda Mariana Mortágua, para "enfrentar problemas que ainda existem, como a dívida pública". E vincou que "sempre que Portugal foi capaz, ainda que timidamente, de contrariar as ordens de Bruxelas, saiu a ganhar e ficou melhor".

PCP desvaloriza saída: o problema é de contas públicas, mas de défice de investimento

Apesar de considerar que a saída do PDE "põe fim a um instrumento de pressão" de Bruxelas sobre Lisboa, o líder parlamentar do PCP duvida que seja suficiente para que as instituições europeias deixem de "chantagear" Portugal. "É preciso que se dê a resposta adequada", afirmou.

João Oliveira desvalorizou a importância dada ao anúncio lembrando que o défice "tem sido usado como pretexto para impor a destruição do aparelho produtivo, o corte de direitos e rendimentos, sempre numa lógica de chantagem e de ameaça sobre o país". E contrapôs que o problema de Portugal "não é de contas públicas, mas de falta de produção e de criação de riqueza, assim como de dependência externa", defendendo ser preciso "atacar estes problemas estruturais com o apoio à agricultura, pesca e indústria", com a "renegociação da dívida e o controlo público de sectores estratégicos" como a banca e a energia.

Questionado onde se deve aplicar a margem financeira decorrente da saída do procedimento, o dirigente comunista disse que o partido "não se deixa espartilhar por défices fixados de forma arbitrária" e que não mudará as políticas que defende. "O que é preciso é responder aos problemas concretos."

"É positivo, mas é bom que não se baixem os braços", avisa o PEV

O partido mais pequeno dos três que à esquerda apoiam o Governo do PS fora o primeiro a reagir ao anúncio de que Portugal pode deixar o procedimento por défice excessivo para avisar que "sendo positivo, é bom que agora não se baixem os braços".

Falando no Parlamento aos jornalistas, José Luís Ferreira lembrou que a decisão "esperada" de Bruxelas vem "confirmar o sucesso das políticas que estão a ser aplicadas" e que "é possível fazer a economia crescer sem castigar as pessoas". "Ao contrário do que diziam - que as políticas [de austeridade] eram inevitáveis -, a devolução de direitos e rendimentos está a ter resultados e a mostrar que havia uma alternativa", insistiu.

"Esperamos que esta decisão tenha reflexo na vida das pessoas e das micro, pequenas e médias empresas", e que se continue a "resistir a eventuais pressões contra o caminho feito até aqui, com mais investimento na economia, continuando a aumentar os salários e repondo o que falta nas pensões e reformas", defendeu José Luís Ferreira.