Moscovo e Pequim expressam preocupação após disparo de míssil norte-coreano

A Coreia do Norte levou este sábado a cabo um novo teste de míssil, a partir da sua base de Kusong, a norte de Pyongyang.

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Presidentes da China e da Rússia têm estreitado relações. LUSA/ALEXEI NIKOLSKY/ SPUTNIK / KREMLIN POOL / POOL

A China e a Rússia estão “preocupadas com a escalada de tensão” na península coreana, após o lançamento de um míssil pela Coreia do Norte em violação das resoluções da ONU, afirmou este domingo fonte do Kremlin.

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A China e a Rússia estão “preocupadas com a escalada de tensão” na península coreana, após o lançamento de um míssil pela Coreia do Norte em violação das resoluções da ONU, afirmou este domingo fonte do Kremlin.

O Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, “discutiram em detalhe a situação na península coreana” durante um encontro, em Pequim, e “as duas partes exprimiram a sua preocupação para com uma escalada de tensão”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aos jornalistas.

A Coreia do Norte levou este sábado a cabo um novo teste de míssil, a partir da sua base de Kusong, a norte de Pyongyang.

As autoridades sul-coreanas indicaram que o míssil, disparado às 05h27 (21h27 de sábado em Lisboa), percorreu cerca de 700 quilómetros antes de cair no Mar do Japão, pelo que o ensaio terá sido bem-sucedido, considerando tratar-se de um míssil balístico, apesar de continuarem a proceder à análise dos detalhes do lançamento para determinar o tipo de projéctil em causa.

Entretanto, e no encontro em Pequim, Vladimir Putin, advertiu para a existência de uma crise do tradicional modelo de crescimento e do Estado social, e para o aumento do proteccionismo em detrimento do antigo modelo de globalização.

“Muitos países estão a ser testemunhas de uma crise do Estado social, o qual é incapaz de assegurar a sua própria sustentabilidade”, afirmou Putin, durante o seu discurso, na abertura do Fórum de Cooperação Internacional das Novas Rotas da Seda, que decorre em Pequim.

“O desequilíbrio do desenvolvimento económico e social, assim como a crise do antigo modelo de globalização resultaram em consequências negativas para as relações entre os Estados assim como para a segurança, pobreza e cuidados sociais”, sublinhou.

O fórum sobre a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” – versão simplificada de “Faixa Económica da Rota da Seda e da Rota Marítima da Seda para o Século XXI” –, que decorre este domingo e segunda-feira, conta com líderes de 29 países, estando Portugal representado pelo secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira.

Numa intervenção de menos de 15 minutos, Putin sublinhou que o proteccionismo se tornou “norma”, defendendo que seja combatido, deixando para trás os “estereótipos” com ideias “frescas e novas”.

“Acredito que a Eurásia é capaz de elaborar uma agenda substancial e positiva”, afirmou, indicando referir-se à procura de “novos agentes de crescimento”.

O Presidente russo também manifestou o seu desejo de cooperar com a União Europeia e outras instituições do velho continente para reverter a tendência actual e “alcançar a construção de uma cooperação única do Atlântico até ao Pacífico”.

A União Europeia – à semelhança dos Estados Unidos – mantém sanções económicas contra a Rússia devido à sua anexação da Crimeia em 2014.

Putin assinalou ainda, diante de líderes e representantes de mais de uma centena de países, a sua intenção de construir um futuro baseado “na igualdade”, com uma menção expressa ao “respeito pela soberania nacional” e aos princípios “invioláveis” das Nações Unidas.

Para o Presidente russo, existe uma “brecha colossal” em termos de desenvolvimento entre muitos países e regiões, o que facilita o avanço de fenómenos como “o terrorismo internacional, o extremismo e as migrações ilegais”.

Também falou sobre o trabalho do seu homólogo chinês, Xi Jinping, com quem mantém estreitos laços bilaterais, como impulsionar das Novas Rotas da Seda, uma iniciativa que qualificou de “promissora”, com a qual instou os participantes do fórum a “voltar ao trabalho em comum”.