Amar por todos nós

Para se poder cantar é preciso primeiro viver e o Salvador lá foi, foi viver, e aprender, e cantar, cantar por alegria, cantar por tristeza, cantar por amor, para mim e para ti, de graça e de borla

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Não basta saber de cor a letra de uma canção e nem por isso ter voz para a cantar, é preciso senti-la, à canção, e ler a sua mensagem, compreender quem a diz e como o diz, o que se passou, tudo o que se viveu, e sorver e integrar por osmose e capilaridade toda a história, do princípio até ao fim, para poder cantá-la outra vez.

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Não basta saber de cor a letra de uma canção e nem por isso ter voz para a cantar, é preciso senti-la, à canção, e ler a sua mensagem, compreender quem a diz e como o diz, o que se passou, tudo o que se viveu, e sorver e integrar por osmose e capilaridade toda a história, do princípio até ao fim, para poder cantá-la outra vez.

Assim é o Salvador, que não ganhou o Ídolos em 2009 e ainda bem, porque de ilusões está o mundo cheio e a televisão também e a realidade está aqui mesmo à frente do nariz, quando se perde um concurso e se ganham todos os sonhos e ambições do mundo.

Para se poder cantar é preciso primeiro viver e o Salvador lá foi, foi viver, e aprender, e cantar, cantar por alegria, cantar por tristeza, cantar por amor, para mim e para ti, de graça e de borla, ou então por meia dúzia de tostões, em nome de todas as paixões, em nome da música, vivendo da música, pela música e, verdadeiramente, para a música.

Hoje o Salvador não é um ídolo, é bem maior do que isso, é parte de todos nós, desta alma, destes versos onde não mora a idolatria e a publicidade, a imagem e o egocentrismo, o dinheiro, a fama, a falsa percepção de imortalidade, o endeusamento. Não, hoje o Salvador é a imagem de um país inteiro, 10 milhões de portugueses em casa mais 5 milhões lá fora, tanta gente na ponta da língua e o Salvador a cantar para aquela moça que não o quer e se foi embora, quem sabe até qualquer dia, a mesma que o abandonou em 2009 e por quem o Salvador nunca desistiu, nunca baixou os braços, com a voz e o coração ao alto, até hoje, até sempre.

A alegria de viver é única, não é uma chama nem é um fogo, é um incêndio que nos consome, e nos teus trejeitos, Salvador, o sorriso no olhar, quase como uma súplica, em transe, em devoção, em prece, em agradecimento agora que a música está de volta ao teu peito e aos teus braços, oito anos depois, não para amar pelos dois, para amar por todos nós.

Força Salvador, Portugal está contigo!