Franceses vão votar sob um dispositivo de alta segurança

Receio de atentados, manifestações extremistas e pirataria informática marcam votação.

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Protesto contra um comício de Marine Le Pen nos arredores de Paris, que degenerou com confrontos com apoiantes da candidata CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Mais de 50 mil agentes da polícia serão mobilizados para garantir a segurança dos 67 mil locais onde vão votar os franceses no domingo. A eles juntam-se os mais de dez mil militares que vigiam todo o território francês, no âmbito da operação Sentinela, lançada após os ataques terroristas em Paris de Janeiro de 2015 contra o semanário satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico.

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Mais de 50 mil agentes da polícia serão mobilizados para garantir a segurança dos 67 mil locais onde vão votar os franceses no domingo. A eles juntam-se os mais de dez mil militares que vigiam todo o território francês, no âmbito da operação Sentinela, lançada após os ataques terroristas em Paris de Janeiro de 2015 contra o semanário satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico.

São eleições de alta tensão por haver tantas incógnitas sobre o seu desenlace, mas também por decorrerem sob o regime de estado de emergência – declarado após os maiores atentados terroristas em França, aqueles que atingiram Paris na noite de 13 de Novembro de 2015, e prolongado sucessivamente desde então.

Para além da ameaça terrorista, o objectivo é evitar “eventuais desacatos causados por extremistas de todos os quadrantes”, afirmou o ministro do Interior, Matthias Fekl, em entrevista ao Journal du Dimanche. Sobretudo face à possibilidade bastante real de Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, passar à segunda volta. “Estamos a prever também fortes mobilizações de cidadãos, espontâneas, e temos que assegurar que decorrem da melhor maneira”, disse o governante.

A capital francesa será a mais protegida, com a salvaguarda de que a lei interdita a presença de homens armados junto às urnas.

Existe um potencial de ataques contra os próprios candidatos – não é ainda muito claro se havia uma ameaça de atentado contra François Fillon em Marselha, onde a Direcção Geral de Segurança Interior pretendeu dois suspeitos que se tinham filmado com uma metralhadora, uma bandeira do grupo jihadista Daesh e a capa do Le Monde de 16 de Março que mostrava o candidato da direita.

Mas a segurança dos candidatos foi reforçada – a candidatura de Emmanuel Macron, dado como o favorito nas sondagens, confirmou que uma equipa de minas e armadilhas verifica o local de cada comício, antes da entrada do centrista.

Há muitos receios de ataques informáticos, por isso houve um grande reforço das medidas de segurança. “Trabalhámos com a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação para montar um sistema fiável, que foi homologado a 31 de Março. Todos os resultados serão centralizados no Ministério do Interior, e autenticados”, explicou o ministro Fekl. Para as legislativas, que terão lugar a 11 de Junho (primeira volta) e 18 de Junho (segunda), foi anulado o voto dos franceses no estrangeiro, “pois não estavam reunidas as condições de segurança.”