Schulz regressa a Berlim com desafio a Merkel na mira

O ainda presidente do Parlamento Europeu é o favorito para encabeçar o SPD nas legislativas do próximo ano, mas as sondagens mostram que também ele perde para Merkel.

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Europeísta convicto, Schulz é apontado como o provável sucessor de Steinmeier à frente da diplomacia alemã Vincent Kessle/AFP

Era um segredo tão mal guardado como o desejo de Angela Merkel se candidatar a um quarto mandato – há semanas que a imprensa, citando fontes do Partido Social-Democrata (SPD), escrevia que Martin Schulz estava a equacionar trocar Bruxelas por Berlim e encabeçar o partido nas legislativas do próximo ano. Confirmado o regresso à política alemã, ninguém acredita já que a ambição de Schulz se resuma a um lugar no Bundestag ou ao cargo – que lhe parece reservado – de chefe da diplomacia, mesmo que as sondagens actuais indiquem que não tem grandes hipóteses de vencer a chanceler nas urnas.

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Era um segredo tão mal guardado como o desejo de Angela Merkel se candidatar a um quarto mandato – há semanas que a imprensa, citando fontes do Partido Social-Democrata (SPD), escrevia que Martin Schulz estava a equacionar trocar Bruxelas por Berlim e encabeçar o partido nas legislativas do próximo ano. Confirmado o regresso à política alemã, ninguém acredita já que a ambição de Schulz se resuma a um lugar no Bundestag ou ao cargo – que lhe parece reservado – de chefe da diplomacia, mesmo que as sondagens actuais indiquem que não tem grandes hipóteses de vencer a chanceler nas urnas.

A especulação sobre Schulz subiu de tom quando, no início da semana passada, o SPD conseguiu vergar a CDU (democratas-cristãos) de Merkel e os aliados bávaros da CSU, seus aliados na grande coligação no poder em Berlim, a aceitarem o nome do actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, para o cargo de Presidente. A chefia da diplomacia alemã ficará vaga em Fevereiro, quando Steinmeier for eleito pelo Parlamento, e a experiência internacional adquirida por Schulz nos cinco anos como presidente do Parlamento Europeu (PE) fazem dele o candidato natural dos sociais-democratas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros dar-lhe-ia um lugar de influência no executivo alemão, onde o líder do partido, Sigmar Gabriel, é vice-chanceler e ministro da Economia, e a experiência governativa que Schulz nunca teve – antes de ser eleito eurodeputado, em 1994, tinha sido apenas presidente de câmara, durante 11 anos, na cidade de Würselen, no seu estado natal da Renânia do Norte-Vestefália. Mas ocupar o cargo equivale também a uma aproximação a Merkel e aos democratas-cristãos, o que a confirmar-se a sua intenção de chefiar a campanha do SPD, lhe retiraria alguma da vantagem que goza junto dos eleitores descontentes com a governação.

Atraso nas sondagens

O SPD está sob enorme pressão para anunciar o seu candidato, agora que Merkel quebrou o tabu e confirmou que vai apresentar-se pela quarta vez ao cargo. Oficialmente, o SPD insiste que só em Janeiro irá tomar a decisão – o site Politico escreve nesta quinta-feira que o partido teme ser visto como estando a reagir à pressa ao anúncio de Merkel, preferindo esperar pela realização do congresso da CDU, na próxima semana, e pelo fim das festividades natalícias.

Mas com o partido tão atrasado nas sondagens – as últimas atribuem-lhe 23% das intenções de voto – e o regresso anunciado de Schulz é pouco provável que Gabriel possa dar-se ao luxo de adiar a decisão, por muito que a escolha do candidato a chanceler não seja consensual. As mesmas sondagens dão vantagem ao ainda presidente do Parlamento Europeu, um social-democrata tradicional, europeísta de convicção e comunicador nato, sobre o pouco popular Gabriel, líder há sete anos do SPD sem nunca ter encabeçado o partido em eleições legislativas.

Um inquérito divulgado quarta-feira pela televisão RTL revela que ambos perderiam no embate com Merkel, mas a diferença é menor no caso de Schulz – 27% para 49%, enquanto o actual líder do partido não iria além dos 16%. Mas se Schulz é desejado por muitos militantes, o seu nome não é suficiente para unir o partido – uma outra sondagem revelada pela emissora Deutsche Welle indica que é o preferido de 54% dos eleitores do SPD, mas outros 41% favorecem Gabriel.

O jornal Financial Times adianta que Schulz só será candidato a chanceler se o líder do partido, com quem mantém boas relações, não se apresentar – uma decisão que, acrescenta o jornal, Gabriel está longe de tomar.

Mas a mera sugestão de que terá pela frente Merkel, que abriu as portas do país a um milhão de refugiados, e Schulz, um federalista europeu, é suficiente para incitar os populistas da Alternativa para a Alemanha (AfD), que esperam obter um forte resultado nas legislativas, previstas para Setembro. “São a equipa de sonho de grande coligação” que está a contribuir para a “destruição da Alemanha”, disse Frauke Petry, a líder do partido populista anti-imigração.