Mais autocarros e motoristas, corredores bus e wi-fi no regresso da Carris “a casa”

"Vamos necessitar de anos para recuperar o sistema de transportes", reconhece o presidente da Câmara de Lisboa, que ainda assim acredita que haverá melhorias já no primeiro semestre de 2017.

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A aquisição de 250 novos autocarros, a contratação de 220 motoristas, a criação de sete “corredores bus de alto desempenho em percursos estruturantes” e a disponibilização de wi-fi gratuito nos autocarros são algumas das medidas que a Câmara de Lisboa promete concretizar, agora que “a Carris regressa a casa”.

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A aquisição de 250 novos autocarros, a contratação de 220 motoristas, a criação de sete “corredores bus de alto desempenho em percursos estruturantes” e a disponibilização de wi-fi gratuito nos autocarros são algumas das medidas que a Câmara de Lisboa promete concretizar, agora que “a Carris regressa a casa”.

O anúncio foi feito pelo presidente da câmara esta segunda-feira, durante a assinatura do memorando de entendimento do novo modelo de gestão da empresa, cuja propriedade e gestão transitam para o município no dia 1 de Janeiro de 2017. No passado a Carris já tinha sido propriedade do município, realidade que se alterou com a sua nacionalização, em 1975..

Na ocasião, Fernando Medina deu a conhecer as oito principais medidas que pretende concretizar nos próximos três anos, com o objectivo fundamental de “dar resposta às necessidades de mobilidade que as pessoas sentem”. Segundo explicou, elas constam de um plano estratégico que será levado em breve à apreciação dos órgãos municipais e que o autarca qualificou como “realista”. 

“Temos a consciência de que vamos necessitar de anos para recuperar o sistema de transportes”, afirmou o presidente da câmara, depois de dizer que a Carris “foi muito maltratada em anos recentes”. Ao PÚBLICO Fernando Medina acrescentou que a melhoria do serviço prestado pela empresa se processará de uma forma “gradual”, manifestando a expectativa de que os utilizadores comecem a senti-la “já no primeiro semestre de 2017”.

Uma das medidas agora anunciadas, e que segundo precisou o autarca entrará em vigor em Fevereiro, é a disponibilização de passes gratuitos para as crianças com idades entre os quatro e os 12 anos e de passes com um valor mensal de 15 euros para os reformados com idade a partir dos 65 anos. Com estas alterações, diz Fernando Medina, uma família com dois filhos poderá ter uma poupança anual de 642 euros e um idoso uma poupança de 141 euros.

Também anunciada esta segunda-feira foi a aquisição de 250 novos autocarros nos próximos três anos. De acordo com o autarca, esta medida traduzir-se-á num “aumento líquido da frota superior a 10%” e numa “redução da idade média da frota de 12 para dez anos”. Está em causa um investimento de 60 milhões de euros, que responderá também à preocupação de ter veículos “menos poluentes” a circular na cidade.

A Câmara de Lisboa vai também avançar com a contratação de 220 motoristas. “A empresa hoje não tem os recursos necessários”, frisou a esse respeito Fernando Medina.

O município vai avançar igualmente com a criação de 21 novas linhas, destinadas a “unir os pontos centrais de um bairro, de uma freguesia, de um conjunto de freguesias próximas”. O presidente da câmara adiantou que a ideia é começar pelas freguesias de Lisboa que sofreram mais “cortes” nos últimos anos, com Marvila à cabeça.

Quanto aos “corredores bus de alto desempenho”, Fernando Medina anunciou que eles serão sete e que a ideia é que nesses percursos haja “segregação especial de vias, redução de obstáculos, semaforização prioritária ou outras soluções”, que permitam aos autocarros ganhar velocidade comercial. 

Já no “primeiro trimestre de 2017” será lançada uma nova aplicação, na qual os utilizadores poderão ter informação sobre o tempo que falta para a passagem de uma determinada carreira ou sobre o seu trajecto. “Isto não é uma modernice. É um elemento essencial da credibilidade do transporte público”, avaliou o autarca. Quanto à rede wi-fi gratuita nos autocarros e eléctricos, a ideia é que ela esteja disponível no primeiro semestre.

A oitava medida enunciada por Fernando Medina foi a criação (já antes anunciada pelo autarca) de parques de estacionamento dissuasores em várias localizações, com “um tarifário simbólico, integrado nos passes”.