Por que é que o vírus HPV é mais perigoso para alguns? A genética explica

Genes que controlam o sistema imunitário têm um papel fundamental para determinar se uma infecção pelo vírus do papiloma humano resultará, ou não, em cancro, conclui estudo.

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Reuters/Stefan Wermuth

Factores genéticos podem explicar por que razão as pessoas infectadas pelo vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) desenvolvem cancros na boca e na garganta em vez de outros, conclui um estudo publicado esta segunda-feira na revista Nature Genetics.

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Factores genéticos podem explicar por que razão as pessoas infectadas pelo vírus do papiloma humano (HPV, na sigla em inglês) desenvolvem cancros na boca e na garganta em vez de outros, conclui um estudo publicado esta segunda-feira na revista Nature Genetics.

Os cancros mais comuns causados pelo HPV são os do colo do útero, que afectam mais de 500 mil mulheres anualmente e que causaram cerca de 266 mil mortes em 2012 em todo o mundo, de acordo com a Agência Internacional de Investigação do Cancro (da Organização Mundial da Saúde), com sede na cidade francesa de Lyon, e que conduziu o referido estudo.

No entanto, as infecções pelo HPV estão também na origem de outros tipos de cancro, como os nos órgãos genitais do homem e da mulher e, cada vez mais, na boca e na faringe.

Ora, comparando o ADN de seis mil pessoas com cancro na boca ou na faringe com seis mil pessoas não tinham essas doenças e que serviram de grupo de controlo no estudo, os investigadores encontraram seis mutações genéticas associadas aos cancros orofaríngeos.

Numa região que regula o sistema imunitário, foi descoberta igualmente uma variante genética associada a um efeito protector multiplicado por quatro contra este tipo de cancro. O mesmo tipo de variantes genéticas  já tinha sido associado, no passado, ao aumento da protecção contra cancro do colo do útero.

“Estes resultados indicam que os genes que controlam o sistema imunitário desempenham um papel fundamental para determinar se uma infecção de HPV resultará, ou não, em cancro”, explica Paul Brennan, director da Secção de Genética da Agência Internacional de Investigação do Cancro, e um dos autores da investigação.

Brennan diz também que as conclusões deste trabalho oferecem uma melhor compreensão do fenómeno, o que poderia ajudar a “identificar novas maneiras para combater os cancros ligados ao HPV”.

Os cancros da boca e da garganta estão principalmente relacionados com o consumo de álcool e tabaco. Mas as infecções orais provocadas pelo HPV, na sua maioria ligadas a práticas sexuais, são cada vez mais comuns na Europa e nos Estados Unidos. Exemplo disso é o HPV 16, uma das estirpes do vírus que é das principais causas de cancros da boca e da faringe. De acordo com os dados citados pela Agência Internacional de Investigação do Cancro, a proporção destes cancros ligados ao HPV ascende aos 60% nos Estados Unidos e aos 30% na Europa.