Passos mudou de ideias depois de ler o livro de Saraiva

"Não gostaria de ficar associado" a discussão que mistura política e vida privada, disse o líder do PSD para justificar o recuo na intenção de apresentar livro polémico.

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nFactos/Fernando Veludo

O líder do PSD disse nesta quarta-feira que pediu a José António Saraiva para "o desobrigar" de apresentar o seu livro, por não querer ficar associado a uma discussão que mistura política e questões privadas e da intimidade das pessoas. "Eu tenho defendido sempre que uma coisa é a política, outra coisa são as questões privadas e da intimidade das pessoas e não gostaria de ficar associado a isso, a uma discussão que pudesse misturar as duas coisas", afirmou o presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas no final de uma visita a uma incubadora de empresas, no Taguspark, em Oeiras. Para José António Saraiva, esta foi a decisão mais sensata que Passos podia ter tomado.

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O líder do PSD disse nesta quarta-feira que pediu a José António Saraiva para "o desobrigar" de apresentar o seu livro, por não querer ficar associado a uma discussão que mistura política e questões privadas e da intimidade das pessoas. "Eu tenho defendido sempre que uma coisa é a política, outra coisa são as questões privadas e da intimidade das pessoas e não gostaria de ficar associado a isso, a uma discussão que pudesse misturar as duas coisas", afirmou o presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas no final de uma visita a uma incubadora de empresas, no Taguspark, em Oeiras. Para José António Saraiva, esta foi a decisão mais sensata que Passos podia ter tomado.

Admitindo que, em seu entender, o livro Eu e os políticos tem "um filtro" que não foi "devidamente aplicado", Passos Coelho explicou que, como não gosta de faltar à sua palavra, pediu a José António Saraiva que o "desobrigasse" de um compromisso que com ele tinha assumido, numa altura em que não tinha ainda lido o livro e estava "guiado sobretudo pela admiração e respeito" que tem pelo autor.

"Tive oportunidade de ler e, na sequência disso, pedi ao arquitecto José António Saraiva que me desobrigasse desse compromisso porque entendo que o respeito e admiração que tenho por ele também tenho por pessoas que vêm ali retratadas e que são retratadas em termos que não são estritamente políticos", disse Passos Coelho.

O líder do PSD assegurou ainda que a sua decisão de pedir ao antigo director do jornal Sol que o "desobrigasse" de apresentar o seu livro nada teve que ver com pressões do PSD, sublinhando que sempre disse que esta não era uma questão partidária. "Era uma questão de natureza particular, que decidi particularmente", vincou, acrescentando não ter tido qualquer manifestação de existir dentro do PSD algum mal-estar. "O que posso dizer é que se alguém se sentiu melindrado por isso não terá razão com certeza hoje para se sentir melindrado, pelo menos comigo, na medida em que manifestamente me parece que era importante fazer essa separação de águas", referiu.

Dando a questão como "ultrapassada", Passos Coelho insistiu que José António Saraiva compreendeu a sua decisão e que isso o deixou "mais confortado" porque não gosta de faltar à sua palavra. "Se ele não me desobrigasse, teríamos uma situação, aí sim, mais constrangedora para mim. Mas, felizmente ele compreendeu muito bem a situação", comentou. 

A editora Gradiva anunciou esta madrugada que o líder do PSD tinha pedido a José António Saraiva para "o desobrigar" de estar presente no lançamento do seu livro Eu e os Políticos, o que levou ao cancelamento da apresentação, prevista para dia 26, às 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa. No livro, José António Saraiva descreve, segundo a editora Gradiva, "um conjunto de episódios polémicos, vividos na primeira pessoa, com diversos políticos e personalidades" portugueses, incluindo pormenores mais íntimos e privados.