Exportações para o Brasil caíram 21% desde o início do ano

Depois da queda de 10% em 2015, as exportações para o Brasil continuam a recuar. No final de Maio ficaram-se pelos 185 milhões.

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O azeite é um dos principais produtos de exportação para o Brasil Enric Vives-Rubio

O Presidente da República visita o Brasil numa altura de arrefecimento nas relações económicas entre os dois países, que terá oportunidade de explorar na sexta-feira, dia em que irá oferecer um almoço a empresários portugueses e brasileiros e membros da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro.
 
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), até Maio as exportações para o Brasil totalizaram cerca de 186 milhões de euros, um valor que representa uma quebra de 21% face ao mesmo período de 2015 e que confirma a tendência de queda registada em 2015, quando as exportações para o Brasil registaram um recuo de 10,8% (em valor) relativamente a 2014. Uma evolução ao qual não é alheia a situação económica do país – o FMI antecipa para este ano uma queda de 3,3% da economia brasileira – e a acentuada desvalorização do real.

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O Presidente da República visita o Brasil numa altura de arrefecimento nas relações económicas entre os dois países, que terá oportunidade de explorar na sexta-feira, dia em que irá oferecer um almoço a empresários portugueses e brasileiros e membros da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro.
 
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), até Maio as exportações para o Brasil totalizaram cerca de 186 milhões de euros, um valor que representa uma quebra de 21% face ao mesmo período de 2015 e que confirma a tendência de queda registada em 2015, quando as exportações para o Brasil registaram um recuo de 10,8% (em valor) relativamente a 2014. Uma evolução ao qual não é alheia a situação económica do país – o FMI antecipa para este ano uma queda de 3,3% da economia brasileira – e a acentuada desvalorização do real.

Para o Brasil – que é, a par de Angola e do Reino Unido do “Brexit”, apresentado pelo Governo de António Costa como um dos países que este ano vão penalizar o crescimento económico por via da queda da procura externa – Portugal exporta sobretudo produtos agrícolas, veículos, máquinas e aparelhos, produtos alimentares (com destaque para o azeite e vinho) e metais.

No início deste ano, o Brasil era o 14.º principal cliente das exportações portuguesas (uma queda de dois lugares face ao 12.º posto de 2015). Em contrapartida, subiu uma posição no ranking dos principais fornecedores portugueses, ocupando o 10.º posto (11.º em 2015). Os dados do INE indicam que, até Maio, Portugal já importou mais do Brasil do que no mesmo período do ano passado. As compras ao Brasil totalizavam 491,5 milhões de euros nos primeiros cinco meses do ano, mais 194 milhões do que no final mesmo período de 2015.

Se a EDP, TAP, a Galp e o grupo Pestana são algumas das empresas portuguesas com actividades relevantes no Brasil, no que toca a investimento brasileiro em Portugal, além da apetência dos cidadãos brasileiros pelos vistos gold através da compra de imobiliário, e da compra da Cimpor pela Camargo Correa, o investimento com mais visibilidade neste momento é mesmo o da Embraer. A empresa apresentou recentemente a aeronave militar KC 390 desenvolvida com uma grande componente de tecnologia portuguesa.

Um exemplo menos feliz nas relações económicas entre os dois países foi o da união entre a Portugal Telecom e a Oi para criação de uma pretensa grande operadora de língua portuguesa. Não só os contornos do negócio impulsionado pelos ex-governantes José Sócrates e Lula da Silva continuam a ser investigados pelas autoridades dos dois lados do Atlântico, como a Oi está à beira da derrocada financeira, penalizando não só os accionistas da antiga PT, como milhares de obrigacionistas que compraram dívida da empresa portuguesa que hoje tem garantia Oi.