Em quatro anos, a Mota-Engil foi seis vezes à América Latina com Portas

Antigo vice-primeiro-ministro é consultor da construtora para a América Latina. "É o regresso ao sector privado onde nasci e cresci e tive iniciativa", disse

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Paulo Portas com Michel Temer, então vice-presidente do Brasil Nuno Ferreira Santos

Entre 2012 e o ano passado, a Mota-Engil integrou seis missões a cinco países da América Latina lideradas pelo antigo vice-primeiro-ministro e ex-ministro de Estado e titular dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, que assumiu a condução da diplomacia económica e agora é consultor da construtora. Essa contabilidade consta dos arquivos da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal - AICEP.

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Entre 2012 e o ano passado, a Mota-Engil integrou seis missões a cinco países da América Latina lideradas pelo antigo vice-primeiro-ministro e ex-ministro de Estado e titular dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, que assumiu a condução da diplomacia económica e agora é consultor da construtora. Essa contabilidade consta dos arquivos da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal - AICEP.

Nestes périplos, os países mais visitados foram, por duas vezes, o México e a Colômbia. O primeiro destino em 2013 e 2104, o segundo em 2013 e 2015.

No México, em 2014 a construtora portuguesa ganhou um grande projecto turístico avaliado em 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), cujo anúncio foi feito pelo presidente da empresa, António Mota, no âmbito da visita liderada por Portas àquele país, entre 27 e 29 de Outubro.

Em 2013, entre 24 e 27 de Junho, Paulo Portas, então na condição de ministro dos Negócios Estrangeiros, esteve à frente de uma delegação comercial tendo anunciado a celebração de vários contratos, entre os quais uma concessão ferroviária à Mota-Engil no valor de 30 milhões de dólares (26,4 milhões de euros). Meses depois, em 29 de Agosto, a um consórcio liderado pela construtora foi adjudicado um contrato de concessão para a construção, operação, conservação e manutenção da Autopista Río de Los Remédios Venta de Carpio, numa extensão de 14,5 quilómetros, envolvendo um investimento de cerca de 347 milhões de euros.

Também por duas vezes, Paulo Portas dirigiu missões à Colômbia, nas quais esteve a Mota-Engil. A 6 de Maio do ano passado, a visita teve um particular significado para o vice-primeiro-ministro, pois foi condecorado com a Ordem de Boayacá, a mais alta condecoração colombiana. Dias depois, a 22 de Maio, foi oficializada a atribuição de uma nova concessão rodoviária na Colômbia, num total de 256 quilómetros, à empresa liderada por António Mota. O investimento divulgado foi de 430 milhões de euros para quatro anos de construção, num projecto com uma duração de 30 anos.

Entre 14 e 19 de Abril de 2013, Portas integrou a comitiva presidencial de Cavaco Silva, que visitou Bogotá, que integrou 40 empresas escolhidas pelo AICEP, entre as quais a Mota e Engil. A Presidência da República referiu que o principal enfoque do interesse empresarial era nas áreas da construção civil e obras públicas, energia, turismo, transportes ferroviários e tecnologia.

Ainda no âmbito desta visita de Cavaco à América Latina, a mesma comitiva esteve no Peru onde a Mota-Engil, presente naquele país desde 1998, divulgou então planos de investimento de mil milhões de dólares (880 milhões de euros).

Nos périplos pela América Latina, região de que Portas passa a ser consultor para a internacionalização da Mota-Engil, a construtora participou na visita, entre 3 e 8 de Setembro de 2012, do então chefe da diplomacia portuguesa no contexto do “Ano de Portugal no Brasil”. A 25 de Novembro do mesmo ano, a construtura anunciou a compra de 50% do capital de uma congénere – a Empresa Construtora Brasil SA –, no que foi a sua entrada no mercado brasileiro.

No seu portfolio, a empresa justifica a presença em diversos mercados da América Latina – Peru, México, Brasil e Colômbia – com o facto de acreditar no potencial daquela região.

Em declarações ao PÚBLICO, Paulo Portas afirmou que sempre cumpriu as leis da República em matéria de incompatibilidades. “Depois da política volto ao meu espaço natural: o sector privado onde nasci e cresci e tive iniciativa. Se alguns não gostam estão no seu direito, mas eu gosto de trabalhar e não sei mesmo fazer outra coisa”, disse.