Operadores do Porto de Lisboa avançam para despedimento colectivo

Responsável da Liscont recusou adiantar quantos dos 320 estivadores serão abrangidos pelo despedimento colectivo.

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Imagem de um protesto de estivadores em 2014 Rui Gaudêncio

Os operadores do Porto de Lisboa vão avançar com um despedimento colectivo por redução da actividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira, uma nova proposta para um novo contrato colectivo de trabalho.

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Os operadores do Porto de Lisboa vão avançar com um despedimento colectivo por redução da actividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira, uma nova proposta para um novo contrato colectivo de trabalho.

"Chegámos ao limite. Há mais de um mês que o Porto de Lisboa está completamente parado. Vamos avançar para um despedimento colectivo, porque temos que redimensionar por não termos trabalho", afirmou Morais Rocha, presidente da Associação de Operadores do Porto de Lisboa (AOPL).

Em declarações à Lusa, Morais Rocha explicou que os operadores do Porto de Lisboa avançaram nesta segunda-feira com os trâmites para um despedimento colectivo, que é fácil de fundamentar, tendo em conta que "o Porto de Lisboa está completamente parado".

O responsável da Liscont recusou adiantar quantos dos 320 estivadores serão abrangidos pelo despedimento colectivo, adiantando que a análise terá que ser feita "secção a secção".

A decisão do recurso ao despedimento colectivo foi tomada depois de, na sexta-feira, o Sindicato dos Estivadores, em greve desde 20 de Abril, ter recusado a proposta de acordo de paz social e de celebração de um novo contrato colectivo de trabalho para o trabalho portuário no porto de Lisboa.

"Foi um ponto final", declarou o administrador da Liscont, referindo que os pontos em que ainda não foi possível chegar a um acordo estão previstos na lei e vigoram nos outros 14 portos.

Na proposta, a que a Lusa teve acesso, a AOPL comprometia-se a "encontrar uma solução relativamente ao futuro da empresa de trabalho portuário Porlis", cuja extinção era uma das reivindicações dos sindicatos.

Em contrapartida, o Sindicato dos Estivadores ficava obrigado a desconvocar de imediato as greves declaradas e a concluir um novo contrato colectivo de trabalho no prazo máximo de 15 dias.

Carlos Caldas Simões, representante da AOP - Associação Marítima e Portuária, realçou que "os armadores estão a perder 300 mil euros por dia" e que as sucessivas greves e mais de 100 pré-avisos de greve causaram "danos irreversíveis".

"Já perdemos mais de 50% das cargas. Levaria meses ou até anos a retomar", acrescentou.

Os operadores prometem também resolver o problema de "milhares" de contentores por descarregar no Porto de Lisboa, recusando-se a adiantar qual será a solução.

"Vamos tentar pelo caminho da paz social", garantiu.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de Abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins-de-semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de Junho.

A Lusa tentou sem sucesso contactar o sindicato dos estivadores.