Podemos apresenta-se a votos aliado à sua esquerda

Socialistas espanhóis recusam oferta de listas conjuntas para o Senado feita pelo partido de Iglesias e arriscam-se a ser ultrapassados pela nova aliança nas legislativas de 26 de Junho.

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Pablo Iglesias anunciou coligação com a Esquerda Unida AFP/PIERRE-PHILIPPE MARCOU

Horas depois de ter anunciado uma coligação eleitoral com a Esquerda Unida, o partido liderado por Alberto Garzón que as sondagens mostram estar a crescer a caminho da repetição das legislativas, o Podemos ofereceu ao PSOE a formação de listas para o Senado nos círculos “onde isso seja possível”. Pablo Iglesias já sabia que a resposta seria negativa, como notou o líder do PSOE, Pedro Sánchez, mas parece decidido a desmontar a imagem de intransigente que construiu durante as negociações pós-20 de Dezembro.

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Horas depois de ter anunciado uma coligação eleitoral com a Esquerda Unida, o partido liderado por Alberto Garzón que as sondagens mostram estar a crescer a caminho da repetição das legislativas, o Podemos ofereceu ao PSOE a formação de listas para o Senado nos círculos “onde isso seja possível”. Pablo Iglesias já sabia que a resposta seria negativa, como notou o líder do PSOE, Pedro Sánchez, mas parece decidido a desmontar a imagem de intransigente que construiu durante as negociações pós-20 de Dezembro.

Na carta enviada aos socialistas sublinhava-se que esta aliança seria a “melhor maneira” de desmontar a “estratégia de bloqueio do PP” na câmara alta. Com a actual lei eleitoral, o partido de Mariano Rajoy, que recusou ser investido depois das eleições de 20 de Dezembro mas que voltará a ser o mais votado a 26 de Junho, terá sempre uma ampla maioria no Senado, uma câmara com poderes inexistentes excepto no caso de uma reforma constitucional, defendida por PSOE, Podemos e Cidadãos, o partido centrista de Albert Rivera.

Para além da formação de listas conjuntas, na proposta envida esta terça-feira de manhã o Podemos sugeria ainda que a aliança deveria “abrir-se a todos os actores sociais e políticos que defendem uma mudança progressista” e que podia constituir “o começo da formação de um governo de mudança”. Sánchez não poderia aceitar uma coligação pré-eleitoral com o partido que muitos no PSOE vêem como principal rival, mas a oferta dá munições a Iglesias, que durante a campanha vai poder acusar o líder socialista de não fazer tudo para derrotar a direita.

Em queda nas sondagens, o Podemos foi um dos mais castigados pelos eleitores pelos meses de negociações fracassadas para a formação de um governo. Mas os mesmos eleitores que escolheram o Parlamento mais fragmentado da história democrática espanhola insistem em todos os inquéritos que continuam a querer um executivo com vários partidos.

As sondagens antecipam que o PP manterá o primeiro lugar, o PSOE será o segundo mais votado, seguido do Podemos e do Cidadãos. Unidos, Podemos e Esquerda Unida podem ultrapassar o PSOE e tornar-se no bloco mais votado à esquerda e no protagonista das negociações que se seguirão para encontrar uma solução de governo.

Gárzon teve uma postura construtiva na busca para uma solução de governo, e o partido está em crescimento (pode duplicar os 3,7% de Dezembro).Com alguma oposição interna, dos que temem que o recém-nascido Podemos engula a histórica federação de esquerdas, Gárzon acabou por assinar um acordo que o coloca em quinto lugar na lista de Madrid e lhe garante um sexto dos deputados eleitos pela nova coligação.

Os dois farão campanhas separadas, mas os seus líderes vão surgir juntos nalgumas iniciativas e ambos incluirão os símbolos do outro nos seus cartazes. Vai haver um acordo programático, mas cada partido defenderá o que entender nos temas que não forem incluídos. Na prática, isso significa que os deputados terão autonomia de voto no Congresso, apesar de integrarem o mesmo grupo parlamentar.

Iglesias e Garzón celebraram a aliança com um encontro nas Portas do Sol da capital, onde começou o acampamento que deu origem a concentrações em todo país aos gritos de “Democracia, Já!”, um movimento que pôs a nu a crise política nacional e que celebra daqui a dias o seu quinto aniversário. O Podemos é o herdeiro directo do 15-M e quando surgiu, há pouco mais de dois anos, aliou-se a plataformas de cidadãos que nasceram dos protestos nas praças e hoje têm os seus líderes à frente de câmaras como Madrid e Barcelona.