A ama-de-leite de Tutankhamon era sua meia-irmã?

Na apresentação do túmulo aos jornalistas, o ministro das Antiguidades egípcio revelou que a mulher conhecida como Maia pode ser, na realidade, Meritaton, uma das meias-irmãs do jovem faraó.

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Pormenor do túmulo de Maia Khaled Desouki/AFP

Semanas antes da abertura ao público, o Egipto apresentou aos jornalistas o túmulo da ama-de-leite de Tutankhamon, tendo como bónus uma nova teoria: a mulher que até aqui se conhecia como Maia, e que terá  amamentado o faraó que morreu ainda adolescente, pode ser, na verdade, Meritaton, uma das suas meias-irmãs. A informação foi avançada no domingo pelo ministro das Antiguidades egípcio, Mahmud al-Damaty.

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Semanas antes da abertura ao público, o Egipto apresentou aos jornalistas o túmulo da ama-de-leite de Tutankhamon, tendo como bónus uma nova teoria: a mulher que até aqui se conhecia como Maia, e que terá  amamentado o faraó que morreu ainda adolescente, pode ser, na verdade, Meritaton, uma das suas meias-irmãs. A informação foi avançada no domingo pelo ministro das Antiguidades egípcio, Mahmud al-Damaty.

Localizado em Sakara, a 25 km do Cairo, o túmulo, que se poderá visitar a partir de Janeiro, foi descoberto há praticamente 20 anos pela equipa liderada pelo egiptólogo francês Alain Zivie, que há já décadas escava nesta necrópole dos arredores da capital. Durante este longo período esteve fechado para estudo e trabalhos de limpeza e restauro.

Segundo o diário espanhol El País, Mahmud al-Damaty recorreu a uma das cenas representadas nas paredes do túmulo - o funeral de Meketaton, outra meia-irmã do faraó, em que Meritaton dá de mamar a um bebé que deverá ser Tutankhamon - para explicar por que razão acreditam alguns dos especialistas egípcios que Maia e a princesa são uma e a mesma pessoa. Al-Damaty defendeu ainda que o título por que é conhecida a ama-de-leite do faraó, “a grande do harém”, é demasiado elevado para alguém que seria apenas uma criada da família real.

Alain Zivie apoia esta teoria avançada pelas autoridades egípcias e, para o fazer, destaca outros indícios. Existem, disse o arqueólogo à Agência France Press, parecenças físicas entre Tutankhamon e a sua ama, em particular os olhos e o queixo, e o facto de Meritaton surgir sentada num trono real, algo reservado apenas aos membros da dinastia no poder, também não pode ser ignorado.

Apesar dos indícios, e como é habitual nestes casos, não há consenso entre os especialistas. Quem contesta a teoria lembra, por exemplo, que era raríssimo que uma princesa fosse ama-de-leite.

Em 2010, testes de ADN provaram que Tutankhamon era filho do faraó Akhenaton. Meritaton, por sua vez, era também filha de Akhenaton e da sua primeira mulher, a lendária rainha Nefertiti, cuja câmara funerária os arqueólogos ainda procuram. Tal como a múmia de Maia/Meritaton, precisa o jornal britânico The Independent.

A abertura ao público desta câmara funerária descoberta por Zivie insere-se num programa mais vasto de relançamento do Egipto como destino turístico que inclui, segundo o diário espanhol El Mundo, outros três túmulos de nobres que serviram nas cortes dos faraós Tutankhamon e Amen-hotep III, visitáveis também a partir de Janeiro. E pela primeira vez.