Raspadinha ultrapassa pela primeira vez o Euromilhões

Há cinco anos, a lotaria instantânea representava apenas 7,6% das vendas totais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Este ano, até Novembro, já representa 58% do negócio dos jogos sociais. Instituição atinge novo recorde de receitas.

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A extinção da Raspadinha chegou a ser ponderada em 1997, quando as receitas estavam aquém do então previsto Nélson Garrido

A sua extinção chegou a ser ponderada em 1997, quando as receitas não iam além dos 94 milhões de euros. Mas 18 anos depois, a Raspadinha impôs-se. Em 2015, e pela primeira vez desde que foi criada, ultrapassou o Euromilhões como o jogo que mais dinheiro gera à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), entidade a quem cabe explorar os jogos sociais do Estado. Até 30 de Novembro, as receitas brutas deste jogo ultrapassaram os 985 milhões de euros, o que representa 58% do total de vendas conseguidas desde o início do ano pela SCML. Em 2014, no mesmo período, valia 37% num negócio em que o Euromilhões era o rei.

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A sua extinção chegou a ser ponderada em 1997, quando as receitas não iam além dos 94 milhões de euros. Mas 18 anos depois, a Raspadinha impôs-se. Em 2015, e pela primeira vez desde que foi criada, ultrapassou o Euromilhões como o jogo que mais dinheiro gera à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), entidade a quem cabe explorar os jogos sociais do Estado. Até 30 de Novembro, as receitas brutas deste jogo ultrapassaram os 985 milhões de euros, o que representa 58% do total de vendas conseguidas desde o início do ano pela SCML. Em 2014, no mesmo período, valia 37% num negócio em que o Euromilhões era o rei.

“A lotaria instantânea tem vindo a crescer a um ritmo muito significativo desde 2011 (ano em que a taxa de crescimento se cifrou em 96,2%). Esperamos que no final de 2015 as receitas deste jogo representem mais de 50% do valor total de vendas dos Jogos Santa Casa, quando em 2010 não ultrapassaram os 7,6% das vendas totais”, revela Fernando Paes Antunes, administrador executivo com o pelouro dos jogos sociais. Com este desempenho, a SCML aproxima-se de “uma estrutura de receitas comparável com as das lotarias mais desenvolvidas do mundo ocidental: França e Itália são dois exemplos na Europa, para não falar das lotarias dos EUA em que o peso da lotaria instantânea se aproxima dos 80% das respectivas vendas totais”, detalha. Além disso, a Raspadinha “tem-se mostrado muito eficaz no combate ao jogo ilegal, canalizando para esta oferta legal do Estado a procura de jogo a dinheiro”.

Entre Janeiro e Novembro, a lotaria instantânea – que é o único jogo da Santa Casa com resultado imediato – cresceu quase 58% em comparação com os mesmos meses de 2014, de longe a evolução mais expressiva entre os sete jogos que a instituição explora (a que se junta o Placard, lançado em Setembro).

Em termos globais, este foi um ano bom para o negócio das apostas do Estado. A Santa Casa deverá terminar 2015 com um aumento de 18% nas receitas brutas que, segundo Fernando Paes Afonso, deverão atingir mais de 2212 milhões de euros, um novo máximo histórico.

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Até 30 de Novembro, o segundo jogo com mais receita foi o Euromilhões: acumulou vendas de mais de 747 milhões de euros, o que representa uma queda de 11,7% em comparação com o mesmo período de 2014. O administrador executivo dos jogos sociais da Santa Casa explica que a diminuição de receitas se ficou a dever ao facto "de não se terem registado ciclos muito longos de jackpot". "Por outro lado, tem-se continuado a observar uma tendência, já verificada em anos anteriores, de diminuição do número de apostas por registo, o que significa que os apostadores têm reduzido o valor gasto em cada concurso", detalha. No mesmo sentido de queda está o Joker (vendas de 32,9 milhões, menos 9,8%), componente que está relacionada com o Euromilhões. Paes Afonso diz que o Joker "é um add-on das apostas mútuas, designadamente do Euromilhões" e que, por este motivo, "a diminuição da despesa por registo de aposta também tem representado um decréscimo de apostas no Joker".

O totoloto é o terceiro jogo mais importante, com mais de 118 milhões de vendas brutas, uma evolução de 2,6% face ao mesmo período de 2014. Já o Placard, nova modalidade de apostas desportivas que a SCML lançou este ano, entrou directamente para o quarto lugar. Registou acima de 40 milhões de euros de receitas, mais do que a lotaria clássica (que registou 37 milhões de euros). Questionado sobre o desempenho do Placard, lançado onze anos depois do Euromilhões, o administrador executivo realça que o balanço é “muito positivo” e acima das “melhores expectativas”. “Muito rapidamente [as apostas desportivas à cota] atingiram o terceiro lugar nas nossas vendas semanais, logo atrás da lotaria instantânea e do Euromilhões, e já superaram os 420 mil apostadores. E tudo isto com apenas quatro tipos de apostas em três modalidades desportivas”, diz Fernando Paes Afonso. O novo jogo foi a resposta da instituição às alterações na lei que lhe concederam o direito exclusivo de exploração das apostas desportivas à cota de base territorial, ou seja, feitas em espaços físicos (lojas). Em 2016, a expectativa é de aumento no número de apostadores.