Ambientalistas querem manter grande marcha pelo clima em Paris

A marcha é o ponto central de mais de duas mil acções, dias 28 e 29 de Novembro, em diferentes pontos do mundo.

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AFP PHOTO / ALFREDO ESTRELLA

Os organizadores de uma grande marcha em Paris um dia antes do início de uma decisiva conferência climática das Nações Unidas estão a discutir com as autoridades francesas a possibilidade de manter o evento, a despeito dos ataques terroristas de sexta-feira passada na capital francesa. Mas a iniciativa pode vir a ser impedida, devido ao risco de novos atentados.

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Os organizadores de uma grande marcha em Paris um dia antes do início de uma decisiva conferência climática das Nações Unidas estão a discutir com as autoridades francesas a possibilidade de manter o evento, a despeito dos ataques terroristas de sexta-feira passada na capital francesa. Mas a iniciativa pode vir a ser impedida, devido ao risco de novos atentados.

A marcha é o ponto central de mais de duas mil acções, dias 28 e 29 de Novembro, em diferentes pontos do mundo, num alerta para o combate ao aquecimento global. Centenas de milhares de pessoas são esperadas nas ruas de Paris. O percurso previsto começa na Praça da República e termina na Praça da Nação, atravessando o bairro onde ocorreram a maior parte dos ataques terroristas de sexta-feira.

A coligação de entidades que promovem a manifestação, liderada pela organização não-governamental 350.org, esteve reunida segunda-feira durante todo o dia e decidiu não cancelar por ora, e por sua iniciativa, a marcha. Numa mensagem enviada a outras organizações envolvidas, a 350.org diz que está a trabalhar com as autoridades francesas “para ver se há uma maneira para que a grande marcha e outras manifestações possam realizar-se de forma segura”.

“Partilhamos das preocupações sobre a segurança pública, assim como nos opomos firmemente à repressão desnecessária das liberdades civis e das minorias”, refere Nicolas Haeringer, da 350.org em França, na mensagem.

A 350.org mostra-se “horrorizada com os ataques” mas diz que as acções previstas a nível global vão ser mantidas, argumentando que há poucas respostas melhores à violência e ao terror do que uma mobilização global solidária pela paz e a esperança, que está na base do movimento em torno da causa climática.

A decisão está agora na mão das autoridades francesas, que facilmente podem impedir o protesto, por razões de segurança. O estado de emergência decretado no país, e que poderá estender-se por três meses, permite a proibição de grandes aglomerações e a limitação do movimento livre de pessoas.

A conferência climática de Paris começa no dia 30 de Novembro, com a presença de mais de uma centena de chefes de Estado. O Governo francês vai reforçar a segurança em torno da conferência e já anunciou que cancelará vários eventos paralelos que estavam previstos – como concertos e outras iniciativas culturais. A conferência vai-se manter, mas praticamente reduzida à sua parte essencial, a das negociações de um novo tratado climático global.