Caravana Aylan Kurdi já chegou à Croácia com ajuda portuguesa

Viajaram quase 60 toneladas de roupa, calçado, comida, artigos de higiene, medicamentos e brinquedos.

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Camiões TIR partiram de Loures no passado sábado Daniel Rocha

O acordo com a Cruz Vermelha foi formalizado esta segunda-feira, após contactos e visitas a diferentes organizações locais. Pesou a escala, a estrutura, a capacidade de acolher donativos em armazéns próximos dos pontos críticos e de os distribuir por quem esta a tentar entrar na União Europeia.

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O acordo com a Cruz Vermelha foi formalizado esta segunda-feira, após contactos e visitas a diferentes organizações locais. Pesou a escala, a estrutura, a capacidade de acolher donativos em armazéns próximos dos pontos críticos e de os distribuir por quem esta a tentar entrar na União Europeia.

"A Cruz Vermelha colabora com o Alto Comissariados para os Refugiados das Nações Unidas (ACNUR) e é responsável pela articulação com todas as ONG que distribuem ajuda no terreno", sublinha Maria Miguel Ferreira, porta-voz do movimento de cidadãos que surgiu de forma espontânea.

Os camiões partiram de Loures por volta das 12h30 de sábado. Seguiram-nos três promotores da iniciativa, prontos para resolver qualquer problema que se colocasse pelo caminho. Maria Miguel, Miguel Vieira e João Vasconcelos, o mentor da Aylan Kurdi Caravan, seguiram no domingo. Na sexta já tinham ido outros quatro voluntários - Anna Bergstrom, Telma Valente, Inês Jardim Sequeira e Lurdes Gonçalves - incumbidos de preparar a chegada das 60 toneladas de roupa quente, calçado confortável, comida não perecível, artigos de higiene, medicamentos de venda livre, brinquedos.

Milhares de pessoas continuam a entrar na Croácia. “No final da semana passada foi criado um campo junto à fronteira com a Sérvia, o Opatovac, com capacidade para quatro mil pessoas”, escreve a porta-voz,  num email enviado à redacção. “Nos próximos dias, deverão concentrar-se lá milhares de refugiados à espera dos comboios que partem, de forma irregular, de Tovarnik para o Nororeste da Croácia (Zagreb) e a Eslovénia. Na fronteira com a Hungria, a Norte, tem estado a ser construído um muro de arame farpado para dissuadir a entrada de mais refugiados no país.”

Os três camiões chegaram ao destino por volta das 19h15 (18h15 em Portugal continental) desta terça-feira. Os donativos começaram então a  ser descarregados e guardados num armazém dos arredores de Vinkocvi, a cerca de 40 quilómetros do campo de refugiados de Opatovac e a 30 quilómetros de Tovarnik, isto sob o olhar dos voluntários e de alguns responsáveis pela gestão de crises humanitárias da Cruz Vermelha da Croácia.