Polónia usa a guerra na Ucrânia para rejeitar refugiados sírios

Foto
Andrzej Duda diz que a Polónia tem o seu próprio problema de refugiados AFP

"Como membro da União Europeia, a Polónia quer ser solidária, mas no que diz respeito a refugiados temos um problema particular, devido ao conflito na Ucrânia", disse o Presidente, do Partido Lei e Justiça (direita ultra-conservadora). "Se houver uma nova escalada no conflito, mais refugiados chegarão à Polónia. E os outros países devem ter isto em conta."

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

"Como membro da União Europeia, a Polónia quer ser solidária, mas no que diz respeito a refugiados temos um problema particular, devido ao conflito na Ucrânia", disse o Presidente, do Partido Lei e Justiça (direita ultra-conservadora). "Se houver uma nova escalada no conflito, mais refugiados chegarão à Polónia. E os outros países devem ter isto em conta."

Quer o Presidente quer a primeira-ministra, Ewa Kopacz, da Plataforma Cívica (que se define como liberal conservador e cristão-democrata) rejeitaram a proposta de divisão dos refugiados que chegam cada vez em maior número à União Europeia - fugindo de guerras ou perseguições políticas e religiosas nos seus países - pelos 28 membros da UE, de acordo com a riqueza de cada país. O Governo de Varsóvia chegou a dizer que poderá receber duas mil destas pessoas. Porém, já esta semana, anunciou que aceita receber 60 sírios cristãos.

"Vamos começar por 60", disse a primeira-ministra, acrescentando: "Todos os cristãos que estão a ser perseguidos de forma bárbara na Síria merecem que os países cristãos como a Polónia os ajude."

No ano passado, na sequência da guerra no Leste da Ucrânia, entre o exército governamental e as forças separatistas pró-Rússia, a Polónia concedeu 331 mil autorizações de trabalho a ucranianos que fugiram dos combates. Estima-se que no país vivam cerca de 400 mil ucranianos. Este fluxo de população foi bem recebido pelo Governo de Varsóvia, a braços com o êxodo da sua própria população que, perante a crise económica e social do país, emigra, sobretudo para o Reino Unido onde o polaco já é a segunda língua mais falada em algumas zonas, por exemplo na Inglaterra.