Um milhão para quem resolver o mistério dos sapatos de Judy Garland

Os sapatos que a actriz usou em O Feiticeiro de Oz foram roubados há dez anos. Um milionário anónimo oferece uma recompensa a quem der pistas sobre o seu paradeiro

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Ainda existem quatro pares de sapatos usados na rodagem AFP

Os teus sapatos, Dorothy, onde estão os teus sapatos?

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Os teus sapatos, Dorothy, onde estão os teus sapatos?


Há quase dez anos, alguém roubou os sapatos de rubi (feitos de lantejoulas) que Judy Garland usou no filme O Feiticeiro de Oz (1939) do museu dedicado à actriz em Grand Rapids, no Minnesota. Não há certamente lugar como a nossa casa quando esses sapatos avaliados em milhões de dólares estão, segundo rumores locais, perdidos em alguma cave ou no fundo de uma mina.

Mas, agora, um fã milionário do filme está disposto a pagar um milhão de dólares (910 mil euros) a quem puder identificar o paradeiro dos sapatos e o nome do perpetrador.

“No princípio não pensámos que a oferta era séria”, disse o porta-voz do Museu Judy Garland, Rob Feeney. “Ele queria permanecer no anonimato. Só queria que se soubesse que é um grande admirador do Feiticeiro de Oz, que vive no Arizona.”

O doador está determinado em pôr fim a um mistério que há muito é falado na pequena cidade de Grand Rapids, com uma população de dez mil habitantes e onde toda a gente conhece a história de Dorothy e do seu cão Toto. O orgulho da cidade é ser o local de nascimento de Judy Garland. A sua vergonha foi ter deixado os sapatos dela – um dos quatro pares usados na rodagem que ainda subsistem – desaparecerem.

Todos os anos, os sapatos eram emprestados ao museu pelo seu proprietário, o coleccionador Michael Shaw. Quando o museu lhe disse que pretendia pôr os sapatos num cofre todas as noites, Shaw não concordou.

“Ele achava que era a única pessoa que devia tocar nos sapatos”, disse Feeney. “Mais ninguém.”

E foi assim que Feeney entregou os sapatos em pessoa e os colocou numa caixa de plexiglass, a cerca de quatro metros de uma janela. Na noite de 28 de Agosto de 2005, quando a América estava colada às televisões a ver o Furacão Katrina desabar sobre Nova Orleães, alguém partiu a janela com um bastão de baseball. O plexiglass foi também quebrado e os sapatos foram levados. A polícia calculou que o roubo levou menos de um minuto a ser executado.

“Não parámos de nos recriminar por não ter colocado os sapatos num cofre”, disse Jon Miner, um dos membros da administração do museu. “Obviamente, o dono ficou perplexo. E nós também.”

A polícia local – que na altura consistia em três agentes – recorreu às câmaras de segurança. Surpresa: estavam desligadas.

Apesar de isso ter levantado a suspeita de que poderia ter sido obra de alguém do museu, essa possibilidade foi rapidamente excluída, disse Feeney. Também investigaram Shaw, mas a polícia acabou por concluir o que toda a gente na cidade acredita ter acontecido. “As pessoas sabem que os autores do roubo foram um grupo de miúdos”, disse Feeney. “Eles foram vistos noutro sítio antes, a beber, e houve uma conversa do género: ‘Os sapatos de rubi estão cá, aposto que não se atreveriam a ir buscá-los.’”

A administração do museu ofereceu uma recompensa de 250 mil dólares, julgando que os adolescentes devolveriam os sapatos. Isso nunca aconteceu. Os investigadores fizeram buscas na mansão de um coleccionador na Califórnia e numa mina que se dizia ser o lugar para onde os sapatos tinham sido atirados. Nada.

O doador, a direcção do museu e a polícia têm esperança que desta vez, para alguém, não haja lugar como ter um milhão de dólares.

“Se os sapatos estiverem algures num armário, alguém há-de saber”, disse Miner. “Não apenas o responsável pelo roubo. Esperamos que saltem cá para fora.”

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post