Estado Islâmico diz que vai preservar monumentos de Palmira

Estátuas vão ser "pulverizadas", mas os principais monumentos vão ficar intactos, garante o comandante dos jihadistas na cidade histórica.

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Vista aérea de parte da cidade de Palmira, em 2009 CHRISTOPHE CHARON/AFP

O vídeo foi divulgado no YouTube pela A3maq, que se apresenta como uma agência de notícias ligada ao Estado Islâmico. Ao longo de um minuto e 27 segundos, é possível ver imagens de Palmira e de vários dos seus principais monumentos intactos, embora não seja possível confirmar a data em que foram recolhidas.

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O vídeo foi divulgado no YouTube pela A3maq, que se apresenta como uma agência de notícias ligada ao Estado Islâmico. Ao longo de um minuto e 27 segundos, é possível ver imagens de Palmira e de vários dos seus principais monumentos intactos, embora não seja possível confirmar a data em que foram recolhidas.

Em simultâneo, a rádio síria Alwan FM, conotada com os opositores do regime de Bashar al-Assad, divulgou uma entrevista com um homem que diz ser o comandante do Estado Islâmico em Palmira, Abu Laith al-Saud.

"Vamos preservar a cidade histórica, mas vamos pulverizar as estátuas que os hereges costumavam idolatrar. Não vamos tocar nos monumentos históricos com os nossos bulldozers, ao contrário do que algumas pessoas pensam", ouve-se na gravação divulgada pela rádio síria, segundo a tradução para língua inglesa partilhada no YouTube.

Esta mensagem foi sublinhada ao jornal britânico The Guardian por um activista da Comissão de Coordenação Local de Tadmur – o nome por que é conhecida actualmente a cidade de Palmira.

"Elementos da organização disseram aos habitantes que eles não vão danificar as antiguidades da cidade, mas vão destruir os ídolos", cita o jornal. "Talvez porque as antiguidades de Palmira são, na sua maioria, colunas e grandes edifícios, e não estátuas de pessoas, que eles consideram serem ídolos que devem ser destruídos. Não têm nenhum problema em relação às outras antiguidades."

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (uma organização anti-Assad fundada em 2006), os jihadistas do Estado Islâmico já executaram pelo menos 237 pessoas desde que lançaram o assalto final pelo controlo de Palmira e de outras cidades mais próximas da fronteira com o Iraque, em meados de Maio. O número da organização inclui "dezenas de civis, entre crianças, mulheres e homens, e também membros do regime [de Assad] e elementos de milícias aliadas". Para além dos relatos de execuções, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos diz que os jihadistas mantêm detidas cerca de 600 pessoas, consideradas "informadoras das forças do regime".

A cidade de Palmira foi um dos primeiros locais classificados pela UNESCO como Património da Humanidade, em 1980. A captura pelos jihadistas, no início da semana passada, provocou receios de que a sua beleza e importância histórica venham a ser destruídas.