Líderes do PSD e CDS decidem coligação nas próximas semanas

Acordo eleitoral pode ter listas separadas, conjuntas ou prever uma harmonização de campanhas.

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Passos e Portas deverão tomar uma decisão sobre a coligação pré-eleitoral nas próximas semanas Francisco Leong/AFP

Sem um deadline definido, os líderes do PSD e do CDS deverão fechar as negociações de um acordo eleitoral nas próximas semanas, apurou o PÚBLICO. Em cima da mesa está, em primeiro lugar, a decisão de avançar com listas conjuntas ou separadas. E há ainda a hipótese de, em caso de uma decisão de listas separadas, se chegar a um acordo sobre como é que se harmoniza a campanha eleitoral do PSD e do CDS-PP para não manchar os últimos quatro anos de coligação. Esta será a primeira decisão que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas terão de assumir.

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Sem um deadline definido, os líderes do PSD e do CDS deverão fechar as negociações de um acordo eleitoral nas próximas semanas, apurou o PÚBLICO. Em cima da mesa está, em primeiro lugar, a decisão de avançar com listas conjuntas ou separadas. E há ainda a hipótese de, em caso de uma decisão de listas separadas, se chegar a um acordo sobre como é que se harmoniza a campanha eleitoral do PSD e do CDS-PP para não manchar os últimos quatro anos de coligação. Esta será a primeira decisão que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas terão de assumir.

Em caso de listas conjuntas, os centristas temem que caiam todos ou quase todos os segundos deputados eleitos em alguns círculos. E receiam ainda mais que o CDS perca os deputados em círculos como Faro, Santarém ou Madeira, que tinha conquistado em 2011. Mas nos grandes círculos como Lisboa ou Porto também já há a noção de que o CDS vai perder candidatos em lugares elegíveis. Em 2011, com um total distrital de 27,3% dos votos, o partido elegeu em Lisboa sete deputados, entre os quais estão Teresa Caeiro, Pedro Mota Soares e João Rebelo. No Porto foram eleitos quatro – Ribeiro e Castro, João Almeida, Cecília Meireles e Michael Seufert. Resta saber como é que Portas vai gerir os equilíbrios internos, tendo em conta que, em caso de desaire eleitoral, o partido vai para congresso e deverá ter um problema de sucessão para resolver.

Ao mesmo tempo que o PSD dá nota pública da abertura aos contributos da sociedade para o seu programa eleitoral, o CDS-PP avança mais um pouco na construção do seu próprio. Parece um pouco contraditório os partidos trabalharem em separado nos seus programas ao mesmo tempo que negoceiam a coligação, mas a tese oficial é que se o acordo falhar o partido tem um programa, se for fechado as propostas valem como contributo para um texto comum. Na próxima segunda-feira, o CDS reúne a comissão política para serem apresentados os primeiros relatórios em torno das propostas recebidas agrupadas em vários temas.

É a primeira avaliação, mas não haverá decisão. Até porque enquanto os partidos negoceiam um acordo, o Governo tem de apresentar este mês o Pacto de Estabilidade e Crescimento e o Plano Nacional de Reformas, documento que é exigido por Bruxelas no pós-troika e que parece ter motivado um encontro entre Marco António Costa, coordenador da comissão permanente do PSD, e o próprio Paulo Portas, para articular o trabalho partidário.

A decisão de uma coligação eleitoral entre PSD e CDS passará pelos órgãos nacionais dos partidos, entre os quais o Conselho Nacional, o órgão máximo entre congressos. É também por aí que Portas vai fazer passar a auscultação ao partido sobre o acordo eleitoral, que pode ser realizada através de um Conselho Nacional, de um referendo interno ou de um congresso.

Os conselheiros nacionais, na segunda-feira, vão ainda debater os resultados das eleições regionais da Madeira em que Portas quis fazer sobressair a resistência do partido nas urnas.