Protestos pró-democracia voltam às ruas de Hong Kong

O amplo aparato policial procurou evitar que as ruas voltassem a ser ocupadas. "Sabemos que não há grande coisa a fazer mas, se nos calarmos, nada irá mudar", disse um manifestante.

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Envergando os chapéus-de-chuva amarelos que se tornaram um símbolo do movimento, quando foram usados como escudo de protecção contra o gás-pimenta lançado pela polícia, os manifestantes desfilaram lentamente pelos bairros financeiros e comerciais da cidade para reivindicar “um sufrágio universal a sério” nas próximas eleições para o chefe do governo local, em 2017.

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Envergando os chapéus-de-chuva amarelos que se tornaram um símbolo do movimento, quando foram usados como escudo de protecção contra o gás-pimenta lançado pela polícia, os manifestantes desfilaram lentamente pelos bairros financeiros e comerciais da cidade para reivindicar “um sufrágio universal a sério” nas próximas eleições para o chefe do governo local, em 2017.

Segundo a Reuters, cerca de três mil pessoas participaram na concentração sob um forte aparato policial de dois mil agentes, com ordens para evitar uma nova ocupação prolongada das ruas – apesar de nenhum dos organizadores ter manifestado essa intenção.

O “movimento do guarda-chuva”, designação pela qual ficaram conhecidos os protestos em Hong Kong que duraram entre Setembro e Dezembro do ano passado, não conseguiu, até agora, nenhuma concessão por parte das autoridades locais ou de Pequim. As suas reivindicações: querem poder eleger, em 2017, o chefe do seu Executivo numa escolha aberta e não entre dois ou três candidatos previamente aprovados pelo governo chinês.

“Queremos apenas expressar a nossa frustração para com o governo de Hong Kong”, disse à AFP um dos manifestantes, Ronnie Chang. “Sabemos que não há grande coisa a fazer mas, se nos calarmos, nada irá mudar.”

“Esta manifestação mostra aos cidadãos que o impulso pró-democrático não morreu e que o movimento vai seguir em frente”, disse à AFP o analista Sony Lo, que dirige o departamento de ciências sociais no Instituto de Hong Kong para a Educação.

Os protestos do ano passado chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Quarteirões inteiros foram ocupados por sit-ins e houve por vezes confrontos opondo os manifestantes e as forças policiais. Em Dezembro, os acampamentos foram desmantelados pelas autoridades, que sempre qualificaram os protestos como “ilegais”.

Para Daisy Chan, uma das organizadoras da manifestação deste domingo, o movimento teve o mérito de levar as pessoas a interessarem-se por política. “Antes os cidadãos eram menos políticos do que são agora. O movimento despertou as pessoas”, disse à AFP.