Passou mais uma sexta-feira e Raif Badawi não foi chicoteado

Activistas que pedem a sua libertação esperam que o blogger esteja na lista de perdões concedidos pelo rei Salman da Arábia Saudita.

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Ensaf Haidar, a mulher do blogger, vive no Canadá e tem organizado manifestações pela libertação do marido AFP

Raif Badawi foi detido em 2012 e depois julgado e condenado a uma multa de perto de 200 mil euros e a um castigo de mil chicotadas por ter um blogue que falava de religião, de secularismo e de separação de poderes na Arábia Saudita. Foi considerado culpado de insulto ao islão e ao rei.

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Raif Badawi foi detido em 2012 e depois julgado e condenado a uma multa de perto de 200 mil euros e a um castigo de mil chicotadas por ter um blogue que falava de religião, de secularismo e de separação de poderes na Arábia Saudita. Foi considerado culpado de insulto ao islão e ao rei.

O castigo físico foi repartido em sessões de 50 chicotadas, a serem dadas a cada sexta-feira. A 9 de Janeiro, foi fustigado pela primeira vez e os médicos sauditas que o examinaram concluíram que não estava em condições para a segunda sessão, que tem vindo a ser semanalmente adiada.

O anterior rei, Abdullah, que recebeu um pedido para o perdoar, enviara o caso do blogger para o Supremo Tribunal, mas morreu sem que este se tenha pronunciado. Como é costume no país, a morte de um rei e ascensão ao trono de um novo é motivo para um decreto com uma série de perdões reais. A colaboradora de Badawi, a activista dos direitos humanos e advogada Suad al-Shammary, que estava presa há três meses, foi perdoada e libertada nesta sexta-feira. Por isso, a família de Badawi – que vive no Canadá – e os activistas que lutam pela sua libertação esperam que o nome do blogger também esteja na lista.

A condenação de Raif Badawi e a aplicação das chicotadas provocaram um movimento de indignação em muitos países e a Amnistia Internacional abriu uma campanha pela sua libertação. "Raif Badawi é um prisioneiro de consciência cujo único ‘crime’ foi ter criado um website de discussão pública", disse o director da AI para o Norte de África e Médio Oriente, Philip Luther.