Extrema-direita força queda do Governo da Suécia

Recusa do projecto de Orçamento para 2015 precipita demissão do primeiro-ministro e anúncio de eleições antecipadas.

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A ministra das Finanças avisou que esta acção "muda o modo como o país pode ser governado" Henrik Montgomery/AFP

Lofven, que tinha dito que se demitiria caso a proposta não fosse aprovada, já anunciou novas eleições para 22 de Março. O Governo social-democrata estava no poder há apenas dois meses.

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Lofven, que tinha dito que se demitiria caso a proposta não fosse aprovada, já anunciou novas eleições para 22 de Março. O Governo social-democrata estava no poder há apenas dois meses.

O Orçamento da oposição teve a aprovação de 182 deputados contra 153 para o projecto do Governo. Até agora, tanto o Governo como a oposição têm recusado a negociar com a extrema-direita do partido Democratas Suecos, que com 49 deputados em 349 é o terceiro partido político do país. “A Suécia está refém do racismo”, considerava o diário Dagens Nyheter.

“Encarregamo-nos de fazer cair todo o Governo ou uma proposta de orçamento que apoie um aumento de imigração”, comentou o presidente interino dos Democratas Suecos, Mattias Karlsson, argumentado que no projecto de orçamento da Suécia o acolhimento dos migrantes estava subfinanciado e que o aumento do número de imigrantes que chegam ao país acabaria por levar a maiores gastos.

“É razoável falar connosco e ouvir o que os nossos 800 mil eleitores pensam”, disse ainda Karlsson, citado pela agência AFP. O partido propõe medidas duras em relação à imigração semelhantes às impostas pela vizinha Dinamarca (onde foram aprovadas por influência do partido de extrema-direita que impôs estas políticas em troca do seu apoio ao anterior executivo minoritário no Parlamento). Uma das propostas dos Democratas da Suécia é diminuir em 90% o número de pessoas a quem é concedido asilo.

A Suécia é o país da União Europeia com mais pedidos de asilo em relação à sua população, com 1960 pedidos por milhão de habitantes, segundo dados do Eurostat relativos ao segundo trimestre de 2014. Em Setembro do ano passado, a Suécia garantiu residência permanente a todos os sírios que chegassem ao país, o primeiro Estado da União Europeia a tomar esta decisão de acolher os refugiados da brutal guerra síria.

“A decisão dos Democratas Suecos de votar contra qualquer orçamento que não siga o que eles defendem cria uma paisagem política totalmente nova”, comentou a ministra das Finanças, Magdalena Andersson, no debate do Orçamento, cita a agência Reuters. “Muda fundamentalmente os parâmetros de como o país pode ser governado”, disse.