Jihadistas avançam no terreno no dia em que Obama junta os chefes militares da coligação

O centro de Kobani, cidade curda na Síria, já nas mãos do Estado Islâmico, que também controla 85% da província iraquiana de Anbar.

Foto
Curdos da Turquia observam os combates em Kobani a partir da fronteira, em Mursitpinar Reuters

Na reunião, que vai juntar 22 chefes militares e que será presidida por Barack Obama, será feito um balanço das operações aéreas contra o Estado Islâmico (EI), mas sobretudo será debatida a necessidade de a coligação internacional avançar com novas medidas.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Na reunião, que vai juntar 22 chefes militares e que será presidida por Barack Obama, será feito um balanço das operações aéreas contra o Estado Islâmico (EI), mas sobretudo será debatida a necessidade de a coligação internacional avançar com novas medidas.

O Presidente dos EUA disse estar disponível para discutir essas "medidas suplementares", mas há muitas divergências entre os membros da coligação internacional sobre novos passos, além dos raides aéreos contra as posições do EI na Síria e no Iraque. Um dos pontos de discórdia é a criação de uma zona-tampão na fronteira entre a Síria e a Turquia, que o Governo de Ancara reclama ao mesmo tempo que não cede à pressão de alguns membros da coligação para participar na campanha e abrir as suas bases aéreas aos aviões que participam nos raides.

Apesar dos bombardeamentos diários contra as posições dos jihadistas, estes estão a ganhar terreno nas duas grandes frentes de guerra, a cidade curda de Kobani (no Norte da Síria) e a província iraquiana de Anbar.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização sediada em Londres que recolhe informação no terreno, os jihadistas avançaram para dentro de Kobani e controlam já parte dos seus bairros centrais. "Até hoje, eles vinham da frente este, progredindo devagar. Mas desta vez chegaram e instalaram-se no centro da cidade", apesar dos esforços dos resistentes curdo-turcos do PKK (do Partido dos Trabalhadores do Curdistão), disse à AFP Rami Abdel Rahmane, director do Observatório.

Segundo Feyza Abdi, do conselho municipal de Kobani que está refugiado na Turquia, o EI controla neste momento três frentes em Kobani, faltando conquistar a zona norte. Aqui, nesta região próxima da fronteira turca de Mursitpinar, travam-se combates, e Abdid disse aos jornalistas que os raides aéreos (três nesta terça-feira, segundo testemunhas ouvidas pela AFP) da coligação não estão a produzir os efeitos esperados pelos combatentes curdos.

A população, que até há poucos dias resistia ao avanço dos jihadistas, acelerou a fuga — 5400 curdos de Kobani já entraram no Iraque, "3600 deles nas últimas 72 horas", segundo os dados desta terça-feira do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No Iraque, os jihadistas do Estado Islâmicos estão também a avançar e controlam já 85% da província de Anbar, junto à fronteira com a Síria, Jordânia e Arábia Saudita. Segundo o ACNUR, 18 mil pessoas estão em fuga e as tropas governamentais estão em fuga de várias cidades — nesta terça-feira surgiu a notícia da retirada de 300 soldados iraquianos de Hit, a cidade que era o último bastião governamental na província.

"Se a situação continuar a progredir nesta direcção, se não houver uma intervenção de forças terrestes estrangeiras nos próximos dez dias, a próxima batalha será às portas de Bagdad", disse Faleh al-Issawi, um representante provincial. Mas não é essa a posição oficial do Governo de Bagdad.

Este confirmou nesta terça-feira que, apesar de Bagdad estar ameaçada, não vai defender a presença de tropas estrangeiras no terreno. Em vez disso, e segundo a Al-Jazira, o Governo iraquiano vai investir no reforço da sua estrutura militar de forma a que esta tenha capacidade para defender o país. Diz a Al-Jazira que, num momento em que se volta a confirmar a incapacidade das forças armadas para responder ou conter o avanço dos jihadistas, esta posição do Governo de Bagdad "pressagia a queda de mais cidades e vilas nas mãos" do EI.

A presença de tropas da coligação no terreno não está na agenda dos líderes militares da coligação que, nesta terça-feira às 19h (hora de Portugal continental), começam a discutir na base aérea de Andrews os "desafios" da intervenção militar contra o Estado Islâmico.