Gonçalo Cadilhe: 20 anos de viagens em fotografia

O viajante profissional Gonçalo Cadilhe expõe até 22 de Outubro cerca de 60 fotografias resultantes de duas décadas de viagens

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“Um dia na Terra – Fotografias Quotidianas do Planeta” é o nome da exposição e do livro de Gonçalo Cadilhe. Através da imagem, o escritor e fotografo de viagens propõe-se a fazer “uma retrospectiva das grandes temáticas que têm ocupado” a sua atenção “como viajante e ser humano nestas duas décadas”.

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“Um dia na Terra – Fotografias Quotidianas do Planeta” é o nome da exposição e do livro de Gonçalo Cadilhe. Através da imagem, o escritor e fotografo de viagens propõe-se a fazer “uma retrospectiva das grandes temáticas que têm ocupado” a sua atenção “como viajante e ser humano nestas duas décadas”.

Com tantos livros escritos, porquê lançar agora um livro de fotografias?

A exposição em que este projecto se insere pedia mais do que apenas o espaço físico, que geralmente as salas permitem, por terem um espaço limitado. Portanto, quando comecei a pensar esta exposição tive esta enorme dificuldade de chegar a uma selecção final de fotografias para uma ou duas salas como é o caso aqui da Árvore e, então, naturalmente [pensei]: Por que não prolongar para dentro das casas dos nossos leitores essa experiência com o livro-catálogo da exposição?

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Sri Lanka Gonçalo Cadilhe

Então a ideia do livro surgiu em consequência da exposição?

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Birmânia Gonçalo Cadilhe

Podemos dizer que foi. Foi quase em paralelo com a ideia da exposição. Mas efectivamente é um livro que resulta de uma exposição, aumenta o material que está exposto. É cerca de 1/3 do que aparece no livro. Tudo o que está exposto está reproduzido no livro.

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Depois de 20 anos de viagens, por que razão decidiu só agora fazer esta exposição?

Já há muitos anos que penso quando é que farei uma exposição retrospectiva. Mas, por um lado, se calhar não me sentia ainda com a maturidade suficiente para ter a certeza que estava a fazer o que queria. Creio que neste momento, em termos de maturidade, estou plenamente convencido de ter encontrado a fórmula para a exposição, que não é apenas uma colecção de fotografias cronológica, mas são fotografias temáticas, relacionadas sempre umas com as outras através de vários temas, que obrigam o espectador ou o visitante a reler, a observar essas fotografias com um segundo olhar. Por outro lado, a questão também de, hoje em dia, com a evolução do digital, cada vez que eu decidia avançar com a exposição percebia que estava uma viagem no horizonte e que essa viagem ia permitir outras fotografias brutais e então “Não, vamos esperar mais um bocadinho”. E então neste momento decidi pôr um travão a esta ânsia de viajar mais e viajar mais e com a exposição de fotografia agora a viagem é ca dentro.

Quais são os outros pontos do país que a exposição vai percorrer?

Nós temos agora até ao final do ano 2015 a disponibilidade para levar a exposição a vários pontos. Neste momento temos confirmado o Museu do Oriente, em Lisboa, em Maio, a Casa da Cultura, em Coimbra, em Novembro [de 2014]. Estamos a fechar datas em Faro, Aveiro, Viana do Castelo, Castelo Branco, Funchal, Figueira da Foz, a minha cidade. Aí vamos ter uma data importante de maneira a mostrar à cidade, na melhor altura, este trabalho. E os outros são espaços ainda em branco na agenda que serão rapidamente corrigidos.

Tratando-se então de uma retrospectiva de duas décadas de viagens, por que escolheu estas fotografias e não outras?

É muito complicado. Foi uma espécie de espiral em que uma boa foto levava a um novo tema e que por sua vez puxava outras fotos que inicialmente não tinha considerado. Enquanto outras fotos bastante boas, não se conseguindo enquadrar em temas específicos, ficaram de fora. Portanto, eu creio que não é apenas uma retrospectiva de fotografias, mas uma retrospectiva das grandes temáticas que têm ocupado a minha atenção como viajante e ser humano nestas duas décadas. É, portanto, bastante mais complexo do que escolher as fotografias que me agradam mais. Dito isto, poria as mãos no fogo por cada uma delas, sem ter o complexo de introduzir na exposição fotografias que não estão perfeitas, fotografias que poderiam ter algum defeito técnico, mas que pelo seu valor foram escolhidas. Algumas fotografias não estão perfeitas em termos puramente fotográficos, mas são documentos de viagem e de humanidade tão interessantes que não tive complexos em selecionar algumas dessas imagens.

Então foram estes os critérios em que se baseou para esta exposição?

Exactamente. Parece-me que mencionei três critérios que se entrecruzam: o critério da qualidade da fotografia, o critério do tema que permite ser explorado e o critério do valor emocional da fotográfica independentemente da sua qualidade técnica.