PSD e CDS coligados deverão ter candidato único às presidenciais

A estratégia de apoios na corrida a Belém deverá ficar acertada no momento em que PSD e CDS conversarem sobre coligação para as legislativas.

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Marcelo Rebelo de Sousa é um dos nomes preferidos à direita para Belém Nuno Ferreira Santos

Mas, no cenário de uma nova coligação, PSD e CDS deverão apoiar o mesmo candidato às próximas presidenciais, admitiu ao PÚBLICO fonte social-democrata. Para o CDS, essa questão presidencial também deve ser alvo de uma cláusula própria no acordo. Ou, no mínimo, que fique estabelecido um processo de consulta mútua.

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Mas, no cenário de uma nova coligação, PSD e CDS deverão apoiar o mesmo candidato às próximas presidenciais, admitiu ao PÚBLICO fonte social-democrata. Para o CDS, essa questão presidencial também deve ser alvo de uma cláusula própria no acordo. Ou, no mínimo, que fique estabelecido um processo de consulta mútua.

No cenário de os dois partidos levarem a actual coligação no Governo até ao fim e de voltarem a editar a AD para as próximas legislativas, “não faz sentido cada partido apoiar um candidato”, defendeu uma fonte do PSD. A matéria das presidenciais ficará definida quando houver conversas sobre a renovação da coligação. Fonte do CDS afirmou que será nesse “diálogo entre os dois partidos” que se saberá “se a questão fica incluída no novo ciclo político ou não”.

Já o momento em que acontecerá essa conversa tem reflectido alguma dissonância entre os dois partidos. O PSD mostrou-se disponível para acertar a coligação pré-eleitoral já, o CDS mostrou não ter pressa e quer adiar essa questão para depois do Orçamento do Estado para 2015. Um exercício que se adivinha tenso, uma vez que ainda estão por conhecer decisões do Tribunal Constitucional e a pressão pública do CDS sobre a carga fiscal já começou.

E começou precisamente com o ministro da Economia, António Pires de Lima, a sublinhar, numa entrevista ao DN/TSF, que um aumento de impostos em 2015 é “indesejável” para a recuperação económica. Dias depois, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, dizia ao jornal Sol ter “esperança” em que o IRS “baixe” no próximo Orçamento.

Já esta semana, o ministro Pedro Mota Soares veio dar mais uma achega, ao falar na intenção de dar um contributo fiscal em sede de IRS que favoreça as famílias com filhos. Embora ainda não sejam conhecidas as conclusões da comissão de revisão do IRS, o ministro do CDS defendeu princípios. “Três coisas são certas: o IRS deve ficar mais simples, o IRS deverá valorizar mais o trabalho e o mérito e o IRS terá de privilegiar a família e o número de filhos”, afirmou, numa audição parlamentar, na passada terça-feira.

CDS pisca olho a Marcelo
As questões da coligação pré-eleitoral e as presidenciais vão andar de mãos dadas, mesmo que as legislativas previstas para Outubro de 2015 sejam antecipadas alguns meses, como defendeu o ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, na última reunião do Conselho de Estado.

PSD e CDS mantêm alguma prudência sobre apoios a candidatos, até porque “ainda não existem”, comentou a mesma fonte social-democrata. Mas existem alguns sinais sobre preferências dos partidos.

Não passou despercebido que António Pires de Lima viesse defender Marcelo Rebelo de Sousa como o candidato do “centro e da direita” com “melhores condições” para disputar as presidenciais de 2016. Também Nuno Magalhães, que faz parte da comissão executiva do CDS por inerência, considerou que o ex-líder do PSD “é com certeza um bom candidato” e que “não há dúvidas sobre isso”.

Oficialmente, o CDS não quer dar gás a estes apoios. Mas o certo é que a escolha do ex-líder do PSD é fortemente defendida dentro do partido, por ser considerado o candidato na área política do PSD/CDS que tem possibilidades de ganhar a corrida a Belém. Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa protagonizaram uma aliança pré-eleitoral PSD/CDS, que acabou por se desfazer com algum estrondo público antes das legislativas de 1999. Nos últimos meses, há quem note que o comentador televisivo tem poupado Paulo Portas no seu espaço na TVI ao domingo.

Na corrida a Belém, uma figura do PSD (mas também muito querida do CDS) posicionou-se. Rui Rio admitiu esta terça-feira à Renascença que avança para a Presidência da República ou para a liderança do PSD se houver um “movimento grande”.

CDS prepara seis meses de propaganda pré-eleitoral
Os 40 anos do CDS – que se assinalam a 19 de Julho – são o mote para seis meses de comemorações que incluem um livro, vídeos, conferências e até um hino novo. Um semestre de exposição para o CDS a um ano de eleições legislativas.

Os ex-presidentes do partido foram desafiados a escrever sobre qual a sua ambição para o CDS quando assumiram a presidência. O resultado será um livro com os contributos de todos os ex-líderes desde Freitas do Amaral a Paulo Portas (actual presidente), passando por Adriano Moreira. Por Francisco Lucas Pires (o único antigo líder do partido que já morreu) escreverá um dos seus vice-presidentes António Gomes de Pinho. O lançamento está previsto para Outubro.  

As comemorações passam por um ciclo de conferências (o papel do CDS nos diferentes Governos, o partido visto por independentes, a relação com a Igreja, o voto contra a Constituição em 1975) e ainda pela publicação dos discursos parlamentares e projectos legislativos mais importantes em 40 anos. O partido terá um novo hino (escolhido por concurso) e vídeos com testemunhos de militantes que se filiaram em cada um dos 40 anos. As celebrações arrancam esta quinta-feira com um jantar em Lisboa.