CMVM suspende acções do BES e ES Financial

Conselho directivo do regulador do mercado de capitais suspendeu a negociações dos títulos do banco enquanto espera pela confirmação da saída de Ricardo Salgado.

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BESI, o braço de investimento do BES, lucrou dois milhões de euros em 2011 Joana Freitas/Arquivo

Num curto comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira, a CMVM diz que avança para a suspensão dos títulos “até à divulgação de informação relevante sobre os emitentes”. Ontem, à Lusa, fonte oficial do regulador do mercado sublinhava que eram “necessários esclarecimentos” por parte do BES, antes da reabertura do mercado, quanto à renúncia de Ricardo Salgado da presidência da instituição bancária.

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Num curto comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira, a CMVM diz que avança para a suspensão dos títulos “até à divulgação de informação relevante sobre os emitentes”. Ontem, à Lusa, fonte oficial do regulador do mercado sublinhava que eram “necessários esclarecimentos” por parte do BES, antes da reabertura do mercado, quanto à renúncia de Ricardo Salgado da presidência da instituição bancária.

O braço de ferro familiar levou o Banco de Portugal a intervir e, ontem, o governador do BdP, Carlos Costa, e o vice-governador, Pedro Neves, reuniram com os representantes do conselho superior do GES, recusando como sucessores qualquer elemento da família Espírito Santo, incluindo José Maria Ricciardi.

O BdP não afastou, contudo, a hipótese de aceitar como presidente-executivo do BES Morais Pires, arguido num processo de mercado. Aguarda-se a convocação de uma assembleia geral do BES para aprovar os novos órgão sociais.

No epicentro dos problemas detectados no GES está a Espírito Santo Internacional (ESI), a holding da família que tem sede no Luxemburgo, que ocultou 1200 milhões de euros em dívidas nas contas de 2012 e terá uma situação líquida negativa de 2500 milhões de euros. A sociedade é acusada ainda de divulgação de dados errados ao mercado, uma menção feita no prospecto de aumento de capital de 1045 milhões de euros que o banco realizou recentemente e que retirou ao GES e ao Crédit Agricole o controlo da instituição.