Viajar com bebés

Viajar de avião tornou-se algo mais comum para muitas jovens famílias com bebés. Para algumas delas, isso é mesmo incontornável, porque é a única forma de conviver com a família e com amigos

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Julie Grath/Flickr

A minha primeira viagem de avião, com 12 anos, foi uma experiência marcante porque viajar não era tão comum quanto é hoje. O Lukas, vivendo num país onde nem a família materna nem a paterna residem, já teve de fazer várias viagens de avião nestes seus seis meses e meio de vida. A continuar assim, apanhar um avião será tão comum para ele como apanhar um comboio.

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A minha primeira viagem de avião, com 12 anos, foi uma experiência marcante porque viajar não era tão comum quanto é hoje. O Lukas, vivendo num país onde nem a família materna nem a paterna residem, já teve de fazer várias viagens de avião nestes seus seis meses e meio de vida. A continuar assim, apanhar um avião será tão comum para ele como apanhar um comboio.

Não foram apenas os preços dos voos que baixaram, nem as companhias “low cost” que começaram a proliferar. A Europa tornou-se um mercado comum, um espaço comum, e para uma geração inteira exposta a experiências como o programa Erasmus ou o Programa INOV, o mundo ficou mais pequeno e maior ao mesmo tempo. Tudo ficou mais perto. Além disso, a emigração de jovens portugueses ao longo dos últimos anos criou muitas famílias binacionais, originou novas constelações familiares e aprofundou alguns destes processos. Por tudo isto, há cada vez mais pessoas que se identificam com aquela música dos Suede, "Europe is Our Playgroud".

Com estas dinâmicas sociais, viajar de avião, visitar o estrangeiro, tornou-se algo mais comum para muitas jovens famílias com bebés. Para algumas delas, isso é mesmo incontornável, porque é a única forma de conviver com a família e com amigos. Por isso, é importante fazer com que essas viagens sejam experiências positivas. Como conseguir isso? Em primeiro lugar, é necessário fazer uma preparação muito cuidada, sobretudo no que diz respeito à temporização das refeições. É importante que os bebés sejam alimentados durante o voo, para que possam ser menos afectados pela pressão nos ouvidos e para que se distraiam mais facilmente. Em segundo lugar, é vital que os pais não estejam nervosos nem ansiosos. Os bebés têm uma misteriosa capacidade de perceber os nossos estados de espírito e de se deixar contagiar. “Pais ansiosos geram filhos ansiosos” pode ser considerada uma lei fundamental da paternidade. Por último, é importante que se encare a viagem como algo natural e que apenas se traga na bagagem aquilo que é mesmo essencial. Com bebés, “menos é mais”, ou seja, menos tralha significa mais tranquilidade, mais qualidade, e, assim, maior probabilidade de encarar a viagem como uma experiência positiva.

Há ainda uma ideia que quero deixar aqui, e que decorre do que se disse acima. Se efectivamente os estados de espírito dos pais contagiam os filhos, viajar e sair da rotina pode ser uma experiência extremamente positiva também para os bebés, seja o destino em Portugal ou no estrangeiro. Como é lógico, passar um longo fim-de-semana em Paris não significa que o bebé vai apreciar o Louvre ou a Île de Saint Louis. Mas se os pais o fizerem, se tiverem uma boa experiência e se a atmosfera for positiva, o bebé certamente vai sentir as vibrações positivas e vai, ele próprio e à sua maneira, passar um excelente fim-de-semana em Paris.

Viajar com bebés pode tornar-se uma aventura, sem dúvida. Mas uma aventura daquelas para mais tarde recordar pelos bons motivos.