Damasco nega que Assad tenha dito que não sai do poder

Conferência de paz comprometida com as palavras do Presidente que diz que o seu objectivo em Genebra II é "eliminar o terrorismo".

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Assad reuniu na semana passada com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Javad Zarif Reuters

"Se eu me quisesse render tê-lo-ia feito no princípio", citou a agência de notícias, explicando que estas eram palavras de Assad ao primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que está em Damasco, a capital síria.

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"Se eu me quisesse render tê-lo-ia feito no princípio", citou a agência de notícias, explicando que estas eram palavras de Assad ao primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que está em Damasco, a capital síria.

O Governo sírio, grupos da oposição e diplomatas ocidentais estarão em Montreaux para as conversações destinadas a abrir um caminho para se inicar um processo de paz. A oposição, que só no sábado à tarde votou a favor de participar nesta iniciativa russa e americana, exige a saída de Assad do poder como condição para discutir o futuro da Síria e a criação de um governo de transição.

A saída de Assad era um ponto de honra desde o início das discussões sobre a realização da conferência, pelo menos para os opositores, para os Estados Unidos, que negociaram o encontro com os russos, e outros aliados da oposição. Já o regime sempre disse - ou sugeriu - que o Presidente ficaria no seu lugar.

EUA, Reino Unido, França, Turquia, Arábia Saudita e Qatar passaram as últimas semanas a pressionar os principais grupos da oposição para garantir que iriam à Suíça. Sábado, finalmente, a Coligação Nacional Síria, maior grupo no exílio, aprovou o envio de uma delegação. A Rússia, por seu turno, tem tentado convencer o regime a fazer algumas cedências.

Mesmo se todos os intervenientes têm objectivos diferentes - para a oposição e para os EUA, a saída de cena de Assad é obrigatória - e nenhum acredita muito no sucesso do encontro, ninguém quer ficar com a responsabilidade do fracasso.

O caminho para as negociações começou em Maio do ano passado com os responsáveis pelos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, e americano, John Kerry a abrirem caminho, através de uma maratona de contactos, ao primeiro encontro que sentará à mesma mesa todos os envolvidos no conflito. A Rússia defende a participação do Irão, que ainda não está devidamente confirmada.

Assad disse, porém, que a sua delegação vai, "em primeiro lugar", ter como objectivo a "eliminação do terrorismo" na Síria. Palavras que poderão comprometer qualquer possibilidade de entendimento em Montreaux.

Os russos saudaram entretanto a decisão da oposição síria. “O mais importante é que eles tenham estabelecido que terão uma delegação para os representar”, disse este domingo o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Mikhaïl Bogdanov, citado pela agência oficial Itar-Tass. Por conhecer estão ainda os nomes dos opositores que vão integrar essa delegação.

Por trás da conferência estão os EUA e a Rússia mas a organização pertence oficialmente à ONU, que vai chefiar as negociações. Também o secretário-geral, Ban Ki-moon, saudou a decisão da Coligação Nacional Síria, considerand-a “um passo corajoso e histórico no interesse de uma solução política negociada para um conflito com três anos que já causou tanta tragédia e destruição”.

Os números reais dificilmente serão conhecidos, mas segundo os dados recolhidos pela ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos, o conflito que eclodiu depois da repressão do regime aos protestos pacíficos de 2011 matou já mais de 130 mil pessoas. Um em cada três sírios é hoje deslocado no seu país ou refugiado no estrangeiro.

De acordo com o Governo de Assad, a guerra já causou prejuízos estimados em 16 mil milhões de euros. Numa entrevista ao jornal Al-Watan, próximo do poder, o ministro da Administração Local, Omar Ghalawanji, diz que, por isso, o orçamento para a reconstrução vai passar de perto de 148 milhões de euros (2013) para mais de 240 milhões.