O Porto de Sines, um sinal de futuro

Não faltam oportunidade para um projecto que tem sido considerado de sucesso em Portugal. Mas manter o rumo implica muito trabalho.

Como sempre, os discursos de circunstância são dominados pela superficialidade, procurando enquadrarem-se no que importa dizer no momento. E o momento agora é da grande oportunidade criada pelo alargamento do Canal do Panamá, que irá provocar um aumento quase exponencial (o que se entende das palavras dos governantes) da carga contentorizada movimentada no Terminal XXI. Quem nos dera, assim o mundo não fosse redondo e fosse estático nessa posição geoestratégica e obrigasse os navios e as suas cargas a passar por este local e, mais do que isso, a movimentarem essas cargas no Terminal de Contentores de Sines.

Só que, sendo uma real oportunidade, há muito trabalho a fazer, desde logo melhorar a competitividade associada a este tráfego, que será essencialmente de transhipment, permanecendo atentos ao que se passa noutros terminais congéneres já existentes (Valência, Algeciras, Tânger, Felixstowe…) ou anunciados (Praia da Vitória/Açores,…). Também de águas profundas, capazes de receber navios de última geração, nomeadamente os chamados Triple-E, com capacidade de 18.000 TEU’s.

Se é certo que Sines conta com o maior operador mundial, a PSA Corporation ltd, como concessionário, e é escalado pelo segundo maior armador mundial, a MSC – Mediterranean Shipping Company, não será de somenos recomendável que consiga o concurso de outras linhas de navegação numa estratégia de oferta diversificada, tão importante na formação dos preços, numa economia dinâmica e concorrencial. E não esquecer a importância de se valorizar noutros requisitos de competitividade, que vão muito além de ser “um porto de águas profundas”, pois os desenvolvimentos no tamanho e capacidade parecem não acompanhar a exigência de maior calado dos navios. (É boa nota, saber que este navio de 18.000 TEU’s necessita duma profundidade de 14,5 m).

A propósito das expectativas criadas pelo alargamento do Canal do Panamá, devemos ter presente que, o mesmo só permitirá acolher navios porta contentores de capacidade máxima até 12.000 TEU’s, podendo acontecer que, fruto do desenvolvimento da frota mundial de contentores, cada vez sejam mais os navios de capacidade acima desta, que escalarão Sines, no futuro. Ou mesmo, verificar outras premissas associadas ao comércio mundial e às suas tendências, mesmo o benefício imediato que terá nas trocas com economias regionais americanas mas que só a médio/longo prazo sejam visíveis os benefícios trazidos a Sines e a mercados mais distantes, apoiados no chamado round of the world. Rota, esta, à volta do mundo feita com recurso a grandes navios, carregados como convém, pois resulta numa grande preocupação os 30% de custos associados a contentores vazios, suportados pelas linhas de navegação na sua conta de exploração.

Não alinharei outras preocupações associadas ao tema, que poderiam ter a ver com a emergência de outras rotas marítimas possíveis para o comércio entre a Ásia e a Europa, e mesmo a América, com menos dias de navegação e porventura mais baratas (como por ex: a Rota do Ártico), que poderiam, igualmente, estar associadas a outras alternativas que se desenham (construção de um canal interoceânico promovido pelo governo das Honduras e com fortes interesses por parte da China), porque, embora com este arrefecimento dos ânimos, sou dos que acreditam na importância de Sines e no papel a desenvolver pelo seu terminal de contentores, em benefício da região e do país.

Num mundo que reclama atenção permanente, tanto mais no mundo dos negócios, acresce uma grande vantagem que se poderá associar ao Porto de Sines em termos futuros. Falo do crescente recurso ao gás natural pela maioria das frotas. Ora tendo em funcionamento um Terminal de Gás Natural, será aconselhável que se facilite o fornecimento de bancas deste gás, aos navios que demandem o Porto de Sines. Será, certamente, uma vantagem preciosa.

Como disse, cada vez menos gosto de discursos sem substância e só por isso tentei aclarar o assunto e balizá-lo na realidade. Posto isto, acho que é compaginável a alegria sentida por haver alguma coisa que funciona bem neste país. E desde logo, seja-me permitido, envaidecer-me (não ficará mal o termo) por me saber associado a este projeto que se afirmou e hoje, revela-se de uma utilidade, inquestionável, para o nosso país. Já vai distante Março de 1998, em que fiz parte duma missão que se deslocou a Singapura e sensibilizou a PSA a acreditar e a investir em Sines. E também esse lindo dia de Junho de 1999 em que coassinei o contrato que levaria à concessão do Terminal XXI. Pelo meio ficará uma história por contar. Mas valeu a pena!

(ex- Administrador da APS)
 
 
 
 
 

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Como sempre, os discursos de circunstância são dominados pela superficialidade, procurando enquadrarem-se no que importa dizer no momento. E o momento agora é da grande oportunidade criada pelo alargamento do Canal do Panamá, que irá provocar um aumento quase exponencial (o que se entende das palavras dos governantes) da carga contentorizada movimentada no Terminal XXI. Quem nos dera, assim o mundo não fosse redondo e fosse estático nessa posição geoestratégica e obrigasse os navios e as suas cargas a passar por este local e, mais do que isso, a movimentarem essas cargas no Terminal de Contentores de Sines.

Só que, sendo uma real oportunidade, há muito trabalho a fazer, desde logo melhorar a competitividade associada a este tráfego, que será essencialmente de transhipment, permanecendo atentos ao que se passa noutros terminais congéneres já existentes (Valência, Algeciras, Tânger, Felixstowe…) ou anunciados (Praia da Vitória/Açores,…). Também de águas profundas, capazes de receber navios de última geração, nomeadamente os chamados Triple-E, com capacidade de 18.000 TEU’s.

Se é certo que Sines conta com o maior operador mundial, a PSA Corporation ltd, como concessionário, e é escalado pelo segundo maior armador mundial, a MSC – Mediterranean Shipping Company, não será de somenos recomendável que consiga o concurso de outras linhas de navegação numa estratégia de oferta diversificada, tão importante na formação dos preços, numa economia dinâmica e concorrencial. E não esquecer a importância de se valorizar noutros requisitos de competitividade, que vão muito além de ser “um porto de águas profundas”, pois os desenvolvimentos no tamanho e capacidade parecem não acompanhar a exigência de maior calado dos navios. (É boa nota, saber que este navio de 18.000 TEU’s necessita duma profundidade de 14,5 m).

A propósito das expectativas criadas pelo alargamento do Canal do Panamá, devemos ter presente que, o mesmo só permitirá acolher navios porta contentores de capacidade máxima até 12.000 TEU’s, podendo acontecer que, fruto do desenvolvimento da frota mundial de contentores, cada vez sejam mais os navios de capacidade acima desta, que escalarão Sines, no futuro. Ou mesmo, verificar outras premissas associadas ao comércio mundial e às suas tendências, mesmo o benefício imediato que terá nas trocas com economias regionais americanas mas que só a médio/longo prazo sejam visíveis os benefícios trazidos a Sines e a mercados mais distantes, apoiados no chamado round of the world. Rota, esta, à volta do mundo feita com recurso a grandes navios, carregados como convém, pois resulta numa grande preocupação os 30% de custos associados a contentores vazios, suportados pelas linhas de navegação na sua conta de exploração.

Não alinharei outras preocupações associadas ao tema, que poderiam ter a ver com a emergência de outras rotas marítimas possíveis para o comércio entre a Ásia e a Europa, e mesmo a América, com menos dias de navegação e porventura mais baratas (como por ex: a Rota do Ártico), que poderiam, igualmente, estar associadas a outras alternativas que se desenham (construção de um canal interoceânico promovido pelo governo das Honduras e com fortes interesses por parte da China), porque, embora com este arrefecimento dos ânimos, sou dos que acreditam na importância de Sines e no papel a desenvolver pelo seu terminal de contentores, em benefício da região e do país.

Num mundo que reclama atenção permanente, tanto mais no mundo dos negócios, acresce uma grande vantagem que se poderá associar ao Porto de Sines em termos futuros. Falo do crescente recurso ao gás natural pela maioria das frotas. Ora tendo em funcionamento um Terminal de Gás Natural, será aconselhável que se facilite o fornecimento de bancas deste gás, aos navios que demandem o Porto de Sines. Será, certamente, uma vantagem preciosa.

Como disse, cada vez menos gosto de discursos sem substância e só por isso tentei aclarar o assunto e balizá-lo na realidade. Posto isto, acho que é compaginável a alegria sentida por haver alguma coisa que funciona bem neste país. E desde logo, seja-me permitido, envaidecer-me (não ficará mal o termo) por me saber associado a este projeto que se afirmou e hoje, revela-se de uma utilidade, inquestionável, para o nosso país. Já vai distante Março de 1998, em que fiz parte duma missão que se deslocou a Singapura e sensibilizou a PSA a acreditar e a investir em Sines. E também esse lindo dia de Junho de 1999 em que coassinei o contrato que levaria à concessão do Terminal XXI. Pelo meio ficará uma história por contar. Mas valeu a pena!

(ex- Administrador da APS)