Ciclone na Sardenha mata 18 pessoas

Governo declarou estado de emergência depois das chuvas torrenciais que se abateram sobre a ilha italiana.

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Entre as vítimas contam-se quatro crianças, de acordo com a AFP. O número de mortos pode ainda subir por causa das seis pessoas desaparecidas, que poderão ter sido levadas juntamente com os carros que foram arrastados pelas águas. A imprensa italiana fala em “centenas” de desalojados e numa “quantidade impressionante” de feridos hospitalizados. O ministro do Ambiente, Andrea Orlando, revelou que cerca de 2700 pessoas foram evacuadas. No total, o ciclone Cleopatra terá afectado mais de 20 mil pessoas, segundo as estimativas da Protecção Civil italiana.

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Entre as vítimas contam-se quatro crianças, de acordo com a AFP. O número de mortos pode ainda subir por causa das seis pessoas desaparecidas, que poderão ter sido levadas juntamente com os carros que foram arrastados pelas águas. A imprensa italiana fala em “centenas” de desalojados e numa “quantidade impressionante” de feridos hospitalizados. O ministro do Ambiente, Andrea Orlando, revelou que cerca de 2700 pessoas foram evacuadas. No total, o ciclone Cleopatra terá afectado mais de 20 mil pessoas, segundo as estimativas da Protecção Civil italiana.

O Governo italiano decretou, horas depois, o estado de urgência. Trata-se de uma "tragédia nacional", classificou o primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, citado pelo jornal italiano Corriere della Sera, garantindo que "a dotação imediata para a emergência é de 20 milhões de euros", um valor que poderá subir quando se passar à reconstrução das zonas afectadas. Segundo a imprensa nacional, o chefe do Governo vai visitar a região nos próximos dias.

A zona mais afectada pelo ciclone foi a cidade de Olbia, onde em poucos minutos a carga de chuva fez com que algumas zonas ficassem com água com três metros de altura. Só nessa localidade turística morreram 13 pessoas. As culturas ficaram arruinadas um pouco por toda a ilha e muitos animais morreram. Várias pontes caíram, adianta o Corriere della Sera. Mais de 500 quilómetros da rede de estradas ficaram inundadas e obstruídas, chegando algumas mesmo a ficar destruídas, relata o La Repubblica. Entre as vítimas mortais conta-se uma família de quatro brasileiros de Arzachena, que se encontrava dentro de um apartamento. Outras três pessoas terão morrido quando uma ponte ruiu e onde um polícia terá também perdido a vida.

Alguns habitantes da Sardenha queixaram-se de não terem sido convenientemente avisados da passagem do Cleopatra, de acordo com a AFP. Foi lançado um alerta “de código vermelho, de risco máximo, não apenas por causa da quantidade de chuva, mas também pelo risco de inundação”, explicou a engenheira da Protecção Civil Paola Pagliara. A responsável considerou o fenómeno “excepcional pela sua escala e extensão”, uma vez que “afectou toda a parte oriental da Sardenha”. Em 24 horas, a quantidade de chuva que caiu na Sardenha foi a equivalente à pluviosidade de meio ano em Itália, comparou o director da Protecção Civil de Itália, Franco Gabrielli.

Os registos mostram que só por duas vezes, nos últimos tempos, a Europa mediterrânica foi atingida por ciclones tropicais. O mais recente foi o furacão Vince, em Outubro de 2005, que ganhou força no Açores, passou pela Madeira e o Algarve entes de se dissipar no sul de Espanha sem provocar vítimas. Antes disso, só no longínquo ano de 1842 é que há registo de um furacão tropical que foi violentamente sentido na Madeira antes de seguir em direcção à Peninsula Ibérica, onde chegou tão longe quanto Madrid.

A magnitude dos estragos provocados pelas inundações na Sardenha deve-se ao facto de 82% dos municípios da ilha terem uma zona em risco de desabamento, como notou a engenheira Paola Pagliara. “São necessários milhões de euros para as intervenções estruturais nos cursos dos rios e nas bacias hidrográficas em situações de risco, para além do problema de urbanização das construções, especialmente dos anos 70 e 80, em zonas em risco”, explicou.

As pessoas cujas casas ficaram em melhores condições ou que não foram afectadas já criaram um grupo na rede social Facebook intitulado “Abrimos as nossas casas aos nossos concidadãos” onde disponibilizam as instalações aos que ficaram desalojados e a mesma informação está a passar nos meios de informação locais.